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Imagem da notícia Foto: Bruno Maia (Comunicação Maricá F.C.)

René Simões assume Maricá F.C. com projeto de dez anos

Plano prevê ciência, educação e estrutura para atletas, com foco social e esportivo.

Atualizado há 1 horas

O Maricá F.C. iniciou uma nova etapa sob o comando de René Simões em agosto. O CEO assumiu o cargo com um projeto de dez anos para mudar a estrutura e a mentalidade da equipe. Aos 73 anos, o treinador e gestor, que comandou a Seleção Jamaicana na Copa do Mundo de 1998 e conquistou a medalha de prata com a Seleção Brasileira feminina nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, pretende atuar também na formação de atletas e na inclusão de jovens.

Em sua primeira entrevista após assumir a função, Simões afirmou que o projeto vai além do futebol profissional e envolve educação, preparação mental, ciência, tecnologia, prevenção de lesões, estrutura, relacionamento com torcedores e formação de atletas.

A chegada ao Maricá

Simões contou que não planejava voltar ao futebol. Segundo ele, estava dedicado aos restaurantes e ao trabalho de mentoria quando foi procurado por Bismarck, ex-jogador de Vasco e Seleção Brasileira: “Eu estava muito bem em casa. Não queria voltar, estava ótimo, cuidando dos meus restaurantes e fazendo as minhas mentorias, como a do Filipe Luís.”

Bismarck teria apresentado seu nome ao prefeito de Maricá, Washington Quaquá, como única opção para gerir o clube. O encontro com o prefeito mudou sua decisão.

Simões comparou a proposta ao projeto que levou a Jamaica à Copa do Mundo de 1998: “Olha como eu acredito que não existem sonhos impossíveis. Só são impossíveis aqueles que você não sonha.”

Foto: Bruno Maia (Comunicação Maricá F.C.)
Foto: Bruno Maia (Comunicação Maricá F.C.)

Jovens como prioridade

O treinador disse que o aspecto social do projeto foi o que mais chamou sua atenção. Ele classificou como “invisíveis” os jovens de comunidades e assentamentos que, segundo ele, têm poucas oportunidades no futebol: “O que mais me tocou não foi o clube em si, pois trabalho no futebol há décadas. Mas foi ele dizer que queria trabalhar com os jovens das comunidades e assentamentos, a quem chamo de invisíveis.”

A proposta prevê escolinhas gratuitas, sem cobrança de mensalidade, equipamentos, transporte ou inscrição em competições: “Ninguém vai pagar nada!”

Para Simões, o objetivo não é apenas descobrir jogadores: “O projeto não é só formar o jogador, é formar o ser humano. (...) Em primeiro lugar, você tem que saber que ele é um ser humano diferente dos outros e tem que ser tratado desse jeito. Depois vem o atleta.”

Formação individual

O projeto também prevê avaliações individualizadas de atletas e integrantes da comissão técnica. A ideia é identificar características, interesses e objetivos de cada pessoa.

Simões defende que os núcleos de formação tenham uma metodologia comum, mas adaptem o conteúdo educacional às características culturais de cada comunidade: “Você não tenha uma escola igual para todo mundo, mas que seja uma escola diferente.”

Projeto de dez anos

Para o novo CEO, a transformação do clube depende de planejamento e de resultados construídos ao longo do tempo: “Todo projeto é um processo. O grande problema do brasileiro é que ele acha que bota uma semente no chão e amanhã está colhendo.”

Após analisar o funcionamento do clube, Simões apontou a mudança de mentalidade como uma das prioridades: “O Maricá F.C. não é um clube pequeno. Ele pode estar numa divisão em que alguém pense que ele é um clube pequeno, mas o Maricá F.C. é gigantesco.”

A meta de longo prazo é levar o clube à primeira divisão do futebol brasileiro: “O Maricá F.C. deu possibilidade a muita gente e esse pessoal está produzindo e colocando o clube onde ele quer estar, que é na primeira divisão do futebol brasileiro. Impossível? Nada é impossível se a gente acreditar e fazer ser possível.”

Mirassol como referência

Simões citou o Mirassol como exemplo de clube do interior que alcançou projeção nacional. Ele afirmou que pretende visitar o clube paulista, além da Microsoft e do Novorizontino, para conhecer projetos e tecnologias que possam ser aplicados no Maricá: “Assim vamos começar a mudar a realidade e mentalidade do clube.”

Ciência e prevenção de lesões

O projeto inclui o uso de análise genética para identificar características físicas dos jogadores. O clube, segundo Simões, já contratou a Physiogene para realizar esse trabalho: “Nós todos somos diferentes. Temos que identificar e potencializar as diferenças.”

A prevenção de lesões também aparece entre as prioridades. Para o CEO, conhecer as características individuais dos atletas pode evitar treinamentos inadequados e afastamentos: “Não existe nada que dê mais prejuízo a um clube do que jogador lesionado.”

Elenco e liderança

Simões afirmou que pretende manter jogadores com perfil de liderança dentro do elenco. Segundo ele, alguns atletas permaneceram mesmo com redução salarial durante a reestruturação.

O clube passou a trabalhar com faixas salariais para organizar a composição do elenco profissional e da base.

Estrutura

Entre os planos estão uma academia, campos de treinamento, centros de pesquisa neurocerebral, laboratório genético, atendimento psicológico, alimentação, acomodação e acompanhamento de sono.

O treinador também destacou a importância da podologia para os jogadores: “O jogador que vier para o Maricá F.C. tem que saber o seguinte: vou para um lugar que eles vão me tratar preventivamente, eles vão me tratar individualmente, vão saber da minha individualidade.”

Torcida e formação de vínculo

A aproximação com os torcedores também faz parte do projeto. Simões pretende organizar torneios nos distritos de Maricá, criar seleções locais e abrir o centro de treinamento para atividades com famílias.

O plano inclui visitas de escolas ao CT e presença de jogadores e do mascote em unidades de ensino: “Eu não consigo entender um clube sem o torcedor. Torcedor é a alma de tudo.”

Ao mesmo tempo, ele afirmou que espera comportamento pacífico nas arquibancadas: “Espero em troca ações civilizadas, porque não posso deixar de passar meu repúdio à violência. Aqui isso não vai caber nunca.”

O clube também estuda a criação de um programa de sócio-torcedor, com benefícios e experiências além dos jogos.

Foto: Bruno Maia (Comunicação Maricá F.C.)
Foto: Bruno Maia (Comunicação Maricá F.C.)

Novo estádio e centro de treinamento

Simões citou ainda o projeto do novo estádio do Maricá F.C., assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Segundo ele, a arena deverá ser climatizada e contar com estrutura voltada ao conforto do público.

O plano inclui ainda a construção de um centro de treinamento: “O futuro do Maricá F.C. passa também por um centro de treinamento sensacional e funcional. E nós vamos fazer.”

Impressões sobre Maricá

Apesar de afirmar que ainda conhece pouco da cidade, Simões disse ter se impressionado com a estrutura e os projetos que conheceu: “Maricá é uma cidade com um potencial gigantesco. E o clube tem que estar alinhado com esse pensamento e ambição.”

O objetivo

Ao resumir sua meta à frente do clube, René Simões foi direto: “Eu quero fazer do Maricá F.C. um clube grande, um clube grande. Quem viver, verá!”

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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