Menu

Imagem da notícia Foto: Divulgação TRE-SP

Desinformação domina debate eleitoral nas Eleições Brasileiras de 2026

Vias públicas concentram 450 denúncias, enquanto internet reúne 290 registros.

Atualizado há 1 horas

A desinformação digital, o uso de inteligência artificial e as redes sociais estão entre as principais preocupações das Eleições Gerais brasileiras de 2026, mas as formas tradicionais de campanha lideram as denúncias feitas pelos eleitores. O aplicativo Pardal, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contabiliza 1.359 relatos de possíveis irregularidades desde domingo (16/08), quando a propaganda eleitoral foi liberada.

As vias públicas concentram 450 ocorrências (33,1% do total), 55% a mais que os 290 registros relacionados à propaganda na internet. Também foram registradas 124 denúncias sobre carros de som, minitrios e trios elétricos; 108 envolvendo bens públicos; 60 sobre bens particulares; e 54 relacionadas a outdoors.

A propaganda eleitoral é permitida desde 16/08, mas candidatos e partidos precisam seguir as regras previstas na legislação e na Resolução nº 23.610/2019 do TSE. As normas abrangem diferentes formas de divulgação, das ações nas ruas ao conteúdo publicado em plataformas digitais.

Os relatos do Pardal não representam infrações comprovadas. O aplicativo recebe denúncias de cidadãos sobre possíveis violações, que são posteriormente analisadas pela Justiça Eleitoral.

Propaganda de rua supera internet nas denúncias

As vias públicas aparecem como a principal categoria do Pardal, com 450 ocorrências (33,1% do total). O número é 55% superior aos 290 registros relacionados à propaganda na internet.

Na sequência estão carros de som, minitrios e trios elétricos, com 124 denúncias; bens públicos, com 108; bens particulares, com 60; e outdoors, inclusive eletrônicos, com 54. Também há registros sobre material gráfico, brindes, adesivos em veículos e outras modalidades de campanha.

Entre as regras para propaganda física estão a proibição de outdoors e restrições ao uso de carros de som, minitrios e trios elétricos. A divulgação em espaços públicos também deve obedecer às condições previstas na legislação.

O resultado contrasta com o debate em torno das novas tecnologias utilizadas nas campanhas. Para as eleições brasileiras de 2026, a Justiça Eleitoral estabeleceu normas específicas para conteúdos produzidos ou modificados com inteligência artificial, além de regras para impulsionamento e propaganda paga na internet.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Deputados concentram denúncias

Candidatos a deputado estadual aparecem em 524 registros, enquanto candidatos a deputado federal estão relacionados a 410. Juntos, os dois grupos representam 934 denúncias (68,7% do total).

Partidos, coligações e federações aparecem em 186 ocorrências. Candidatos a governador estão relacionados a 96 registros; deputados distritais, a 61; senadores, a 52; candidatos à Presidência da República, a 28; e vice-governadores, a duas.

A concentração entre deputados também está relacionada ao maior número de candidaturas nessas disputas. Por isso, os dados não permitem concluir que esses candidatos sejam individualmente mais denunciados ou que estejam mais envolvidos em irregularidades.

Internet ganha peso entre presidenciáveis

O cenário muda quando as denúncias são separadas pelo cargo. Entre candidatos à Presidência da República, 46,4% dos registros estão relacionados à propaganda na internet, enquanto aproximadamente 14% envolvem vias públicas.

Entre candidatos a deputado federal, cerca de 38% das denúncias estão ligadas às ruas e aproximadamente 21% à internet. Para deputado estadual, os percentuais são de cerca de 35% e 22%, respectivamente.

Entre candidatos ao Senado, a propaganda na internet representa aproximadamente 27% dos registros.

Os dados mostram que o ambiente digital tem maior participação nas denúncias relacionadas à disputa presidencial, enquanto a propaganda física aparece com mais frequência nas eleições proporcionais.

São Paulo lidera registros

São Paulo reúne 250 denúncias (18,4% do total), seguido por Pernambuco, com 133; Paraná, com 127; Rio Grande do Sul, com 126; e Minas Gerais, com 105.

Os cinco estados concentram 741 ocorrências (54,5% do total).

Entre as capitais, Brasília lidera, com 86 registros, seguida por Porto Alegre (67), São Paulo (57), Fortaleza (55), Recife (47), Curitiba (45) e Belo Horizonte (42).

As 27 capitais concentram 642 ocorrências (47,2% do total). Os demais municípios somam 717 registros (52,8%). Ao todo, há denúncias registradas em 326 cidades brasileiras.

Os números não indicam necessariamente maior incidência de irregularidades. População, número de candidatos, características das disputas e utilização do Pardal pelos eleitores influenciam a quantidade de registros.

Um exemplo é Paranaguá, no litoral do Paraná, que soma 35 denúncias, três a mais que o Rio de Janeiro. O município paranaense tem cerca de 150 mil habitantes, enquanto a capital fluminense supera 6,7 milhões.

Pardal registra aumento de 23,2% em quatro dias

O número de denúncias cresceu rapidamente desde o início da propaganda eleitoral. O levantamento atual reúne 1.359 ocorrências desde domingo (16/08).

Mais cedo nesta quarta-feira (19/08), o TSE havia informado 1.103 registros. A diferença é de 256 denúncias (23,2% a mais em relação ao balanço anterior).

Como a campanha oficial havia começado quatro dias antes, os números ainda podem mudar conforme novos relatos sejam apresentados e analisados.

Mais de 150 milhões de eleitores vão às urnas

O primeiro turno das Eleições Gerais brasileiras de 2026 será realizado em 04/10. Mais de 150 milhões de eleitores devem votar para escolher presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.

Na urna, a ordem de votação será:

  • deputado federal;
  • deputado estadual ou distrital;
  • senador para a primeira vaga;
  • senador para a segunda vaga;
  • governador e vice-governador;
  • presidente e vice-presidente da República.

Caso seja necessário, o segundo turno para presidente e governadores ocorrerá em 25/10.

Serão renovadas 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, 1.035 vagas das Assembleias Legislativas e 24 cadeiras da Câmara Legislativa do Distrito Federal. No Senado, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa, com dois senadores eleitos em cada estado e no Distrito Federal.

Foto: Antonio Augusto
Foto: Antonio Augusto

Como funcionam as eleições

Deputados federais, estaduais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional. As cadeiras são distribuídas entre partidos e federações conforme a votação das legendas e preenchidas pelos candidatos mais votados dentro de cada grupo.

Presidente, governadores e senadores são escolhidos pelo sistema majoritário. Para presidente e governador, é necessário obter mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno. Se nenhum candidato alcançar esse percentual, os dois mais votados avançam para a segunda votação.

O presidente chefia o Executivo federal e atua na condução de políticas nacionais. Governadores administram os estados e o Distrito Federal.

Senadores representam as unidades da Federação no Congresso e têm, entre outras atribuições, a análise de indicações para determinados cargos públicos e o julgamento do presidente em processos de responsabilidade.

Deputados federais elaboram leis nacionais, fiscalizam o governo federal e participam da aprovação do orçamento. Deputados estaduais e distritais exercem funções legislativas e de fiscalização em suas respectivas unidades.

Partidos e federações

Somente partidos com registro definitivo no TSE podem lançar candidaturas. Atualmente, 30 legendas estão registradas na Justiça Eleitoral.

Também é permitida a formação de federações partidárias, reunindo duas ou mais siglas que passam a atuar conjuntamente e devem manter a união por pelo menos quatro anos.

Como funciona o Pardal

Em 2026, o acesso ao Pardal exige autenticação pelo e-Título ou pela plataforma Gov.br. A identidade de quem apresenta a denúncia permanece sob sigilo.

A ferramenta permite que os eleitores comuniquem possíveis irregularidades na propaganda eleitoral. O envio de um relato, porém, não significa que a infração tenha sido comprovada.

Os primeiros dados das Eleições Gerais brasileiras de 2026 mostram um contraste entre as principais frentes de preocupação da campanha. Enquanto desinformação, inteligência artificial e redes sociais ocupam o centro das discussões sobre o ambiente digital, as possíveis irregularidades na propaganda de rua lideram os relatos feitos pelos eleitores.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

Comentários (0)

Veja também

Mais

lidas
  1. 1
    Morre Glória Menezes, atriz que marcou gerações na televisão brasileira
  2. 2
    Festa da Padroeira começa com show de João Gomes na Barra de Maricá
  3. 3
    Datafolha divulga 1ª pesquisa presidencial após campanha
  4. 4
    Regularização fundiária tem novo cadastramento bairros de Maricá
  5. 5
    Jovem de 19 anos é vítima de feminicídio após discussão com namorado em SC
Mais do Gazeta