Da esquerda para a direita: Vorcaro e Hadad/Fotos: Divulgação
Haddad recusou encontros com dono do Banco Master antes do escândalo
Ministro da Fazenda rejeitou tentativas de aproximação de Daniel Vorcaro; meses depois, banqueiro foi preso e instituição entrou em liquidação após investigação de fraudes bilionárias.
Atualizado há 10 dias
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recusou sucessivas tentativas de reunião feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, antes de o escândalo envolvendo a instituição vir à tona. As informações foram divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Segundo relatos de interlocutores, Vorcaro tentou diversas vezes agendar um encontro com o ministro, sem sucesso. Em uma das investidas, o empresário enviou um recado por meio de um intermediário afirmando: “Eu preciso falar para ele o que pode acontecer se algo acontecer comigo”.
A mensagem foi levada a Haddad, que respondeu ao emissário de forma direta: “Você está falando com a pessoa errada”, disse o ministro.
De acordo com pessoas próximas ao caso, o ex-banqueiro buscava abrir um canal de diálogo com o Ministério da Fazenda havia meses. Entre os interlocutores acionados estava o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que atuava como consultor do Banco Master, mas a tentativa também não resultou em encontro.
Auxiliares relatam que Haddad optou por não se reunir com Vorcaro após ouvir avaliações informais de agentes do mercado financeiro. Segundo essas análises, a situação do Banco Master era considerada “insustentável” e poderia se agravar a qualquer momento. Diante desse cenário, o ministro decidiu evitar qualquer aproximação ou exposição pública ao lado do banqueiro.
Meses depois das tentativas de reunião, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito de investigações que apontam fraudes bilionárias envolvendo o banco. A crise levou o Banco Central a determinar a liquidação da instituição.
O caso passou a ser tratado como um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro e já provoca repercussões políticas em Brasília. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou apoio à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o banco e afirmou que pretende incluir Haddad e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, entre os alvos.
Em resposta, o ministro da Fazenda afirmou que as irregularidades investigadas teriam ocorrido durante o governo anterior: “Logo saberemos debaixo do nariz de quem as fraudes do Banco Master não apenas ocorreram, como foram promovidas”.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
Veja também
Mais
lidas- 1
Carro usado no sequestro de jovem em Itaipu é encontrado carbonizado em

- 2
Corpo de idoso desaparecido em Maricá é encontrado na Estrada da Restinga

- 3
Denúncia expõe trama política e familiar contra Paulo Melo

- 4
Homem é preso após agredir idosa para roubar cerveja em Nova Iguaçu

- 5
Homem é encontrado morto com marcas de tiros na restinga de Maricá

Comentários (0)