Foto: Reprodução Al Jazeera
Brasileiro é detido por Israel após missão humanitária
Ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek foram interceptados em águas internacionais durante missão humanitária rumo a Gaza.
Atualizado há 1 horas
O ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek foram presos em Israel após serem interceptados por forças israelenses durante a missão humanitária da Flotilha Global Sumud, que levava alimentos, medicamentos e mantimentos para Gaza, no domingo (03/05). Os dois foram levados ao porto de Ashdod e permanecem detidos na prisão de Shikma, em Askalan, sem acusação formal.
Segundo a defesa, ambos foram capturados em águas internacionais, a cerca de 500 milhas náuticas de Gaza e 80 milhas a oeste da ilha grega de Creta. A organização Adalah, ONG israelense que representa os ativistas, afirma que a detenção viola a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e classifica a operação como “prisão ilegal”.
Na primeira audiência, realizada no último domingo (03/05), autoridades israelenses apresentaram suspeitas relacionadas a “associação por terrorismo” e “colaboração com o inimigo em período de guerra”. No entanto, segundo os advogados, nenhuma acusação formal foi registrada.
A psicóloga Lara Souza, esposa de Thiago Ávila, afirmou que a defesa sustenta que Israel não teria autoridade para prender ou interrogar o brasileiro, já que ele não estava em território israelense no momento da abordagem.
“Ele está preso sem justificativa e não há evidências sólidas sobre nenhuma das acusações”, relatou Lara, citando posicionamento das advogadas da Adalah.
Apesar disso, um tribunal israelense prorrogou a prisão dos dois ativistas até domingo (10/05), alegando necessidade de continuidade dos interrogatórios. Um recurso apresentado pela defesa foi rejeitado na quarta-feira (06/05).
Denúncias de agressões e tortura
Após visitas consulares e jurídicas, a defesa denunciou que Thiago Ávila apresentava marcas de agressão no rosto e no corpo. Segundo Lara Souza, o brasileiro relatou espancamentos, ameaças psicológicas e intimidações durante a captura e transferência para Israel.
“Houve muitas agressões na cabeça. Ele chegou a perder temporariamente a visão”, afirmou.
De acordo com a Flotilha Global Sumud, Thiago teria sido arrastado pelo chão e espancado a ponto de desmaiar duas vezes. Já Saif Abu Keshek, segundo a organização, foi vendado, mantido de bruços por horas e submetido a tortura psicológica.
A Adalah afirmou ainda que os dois permanecem em isolamento, sob iluminação intensa contínua e vendados durante deslocamentos, inclusive em atendimentos médicos. As autoridades israelenses negam as acusações.
A embaixada brasileira informou à família que Thiago recebeu atendimento médico considerado inadequado e que solicitou acompanhamento mais apropriado às autoridades israelenses.
Mesmo ferido, o ativista brasileiro segue em greve de fome desde a captura. Saif Abu Keshek também aderiu ao protesto e, segundo organizações ligadas à causa palestina, passou a recusar água.
Missão humanitária
A Flotilha Global Sumud reunia cerca de 175 ativistas de 55 países, entre médicos, jornalistas e defensores de direitos humanos. O objetivo era romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária à população palestina.
Segundo relatos da organização, os integrantes da flotilha foram privados de alimentação, forçados a dormir no chão e sofreram agressões físicas durante a operação israelense. Ao menos 36 pessoas precisaram de atendimento médico após serem levadas para Creta.
A maior parte dos ativistas foi libertada na Grécia. Apenas Thiago Ávila e Saif Abu Keshek permaneceram sob custódia israelense.
Pressão internacional
A prisão dos ativistas gerou reações internacionais. O Escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu a libertação “imediata e incondicional” dos dois.
“Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza”, afirmou o porta-voz da entidade, Thameen Al-Kheetan.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também criticou a manutenção da prisão do brasileiro e classificou a medida como “injustificável”. A Espanha igualmente pediu a libertação de Saif Abu Keshek.
Lara Souza, porém, cobrou um posicionamento mais firme do governo brasileiro: “A gente espera que o governo faça o que for preciso para trazer Thiago para casa. Ele foi sequestrado em águas internacionais e está preso ilegalmente”, declarou.
Segundo ela, o Itamaraty e a embaixada brasileira em Israel acompanham o caso desde o início e mantêm contato com a defesa e a família.
Mobilizações e morte da mãe
Movimentos pró-Palestina realizaram manifestações em São Paulo e Brasília pedindo a libertação imediata dos ativistas. Uma nova mobilização está prevista para esta quinta-feira (07/05) às 18h, no Centro Cultural Palestino Al Janiah, em São Paulo.
Em meio à prisão, Thiago Ávila ainda enfrenta uma tragédia familiar. Sua mãe, Tereza Regina de Ávila, morreu na terça-feira (05/05), aos 63 anos. Segundo familiares, o ativista segue em isolamento e pode ainda não ter sido informado sobre a morte.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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