Foto: Instituto Butantan
Anvisa autoriza produção nacional de vacina contra chikungunya
Decisão permite que o Instituto Butantan produza o imunizante no Brasil e avance na oferta pelo SUS.
Atualizado há 14 dias
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (04/05), a fabricação no Brasil da vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. Com a decisão, o instituto passa a atuar como local oficial de produção do imunizante, já aprovado pela agência em abril de 2025.
A vacina, chamada IXCHIQ, é a primeira registrada no mundo contra a doença. A formulação é a mesma já validada internacionalmente, mas agora poderá ser envasada e parcialmente produzida no país, mantendo os padrões de qualidade, segurança e eficácia exigidos.
Indicada para pessoas de 18 a 59 anos com maior risco de exposição ao vírus, a vacina já começou a ser aplicada em fevereiro de 2026 em municípios com alta incidência da doença, dentro de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde. Segundo dados divulgados, cerca de 23 mil brasileiros já receberam o imunizante.
A autorização também abre caminho para a ampliação da oferta no Sistema Único de Saúde (SUS), com expectativa de redução de custos a partir da produção local. “Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan poderá entregar a vacina com um preço mais acessível, mantendo a mesma qualidade e segurança”, afirmou o diretor do instituto, Esper Kallás.
Estudos clínicos conduzidos com cerca de 4 mil voluntários apontaram que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes. Os efeitos adversos registrados foram, em geral, leves ou moderados, como dor de cabeça, fadiga, febre e dores musculares.
Além do Brasil, o imunizante já foi aprovado no Canadá, na Europa e no Reino Unido. A iniciativa de produção local também é vista como avanço na transferência de tecnologia entre as instituições envolvidas.
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya provoca febre alta e dores intensas nas articulações, podendo evoluir para quadros crônicos que comprometem a mobilidade e a qualidade de vida. Em 2025, a doença atingiu cerca de 620 mil pessoas no mundo, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). No Brasil, foram mais de 127 mil casos e 125 mortes no mesmo período.
Mesmo com o avanço da vacinação, autoridades de saúde destacam a importância de medidas preventivas, como a eliminação de água parada, para reduzir a proliferação do mosquito transmissor.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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