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Imagem da notícia Previsão de temperaturas elevadas entre maio e julho de 2026/Foto: OMM

Aquecimento no Pacífico eleva risco de El Niño extremo em 2026

Previsões apontam transição para fase quente entre maio e julho, com chance de evento forte e impactos desiguais no Brasil e no mundo.

Atualizado há 2 horas

O Oceano Pacífico voltou ao centro das atenções de climatologistas após sinais consistentes de aquecimento que indicam a possível formação de um novo El Niño ainda em 2026. O fenômeno, caracterizado pelo aumento de pelo menos 0,5 °C na temperatura das águas superficiais na faixa equatorial, altera a circulação atmosférica e influencia padrões de chuva e temperatura em escala global.

De acordo com o Climate Prediction Center, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), a La Niña iniciada em 2025 está em fase final ou já encerrada, dando lugar a uma condição neutra com cerca de 80% de probabilidade de persistir até o meio do ano. Na sequência, os modelos indicam 61% de chance de transição para o El Niño entre maio e julho, com possibilidade de permanência até o fim de 2026.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que o Pacífico equatorial já apresenta aquecimento acelerado na superfície, além de acúmulo de calor nas camadas mais profundas (um indicativo típico da formação do fenômeno). Segundo o chefe de previsão climática da entidade, Wilfran Moufouma Okia, há alta confiança no início do El Niño, com tendência de intensificação nos meses seguintes, embora a chamada “barreira de previsibilidade da primavera” limite a precisão das projeções neste período.

Além dos sinais tradicionais, pesquisadores identificaram em 2026 um padrão incomum de aquecimento simultâneo em diferentes áreas do Pacífico, formando um “anel de calor” ao redor de uma região central mais fria. Esse arranjo, não observado com tanta intensidade há cerca de quatro décadas, pode potencializar o fenômeno. Simulações indicam que o calor acumulado na camada superior do oceano funciona como uma espécie de reserva de energia, capaz de impulsionar um evento mais intenso.

A hipótese levanta a possibilidade de um episódio classificado como muito forte, por vezes chamado informalmente de “super El Niño”, quando o aquecimento supera 2 °C acima da média. O termo, no entanto, não é adotado oficialmente por instituições como NOAA e OMM, que preferem classificações baseadas na intensidade das anomalias térmicas.

O último evento dessa magnitude ocorreu entre 2015 e 2016, quando as águas do Pacífico atingiram até 2,8 °C acima da média, provocando secas severas em regiões da África e escassez hídrica em áreas do Caribe, além de calor e umidade elevados em países tropicais.

Os impactos do El Niño variam conforme a região. Em partes da América Central, África e Austrália, o fenômeno costuma estar associado à redução de chuvas. Já áreas tropicais frequentemente enfrentam precipitações intensas e maior risco de enchentes. Há ainda potencial de intensificação de ciclones e tufões no Pacífico.

No Brasil, os efeitos também são desiguais. Historicamente, o Sul registra aumento de chuvas, com maior risco de temporais e alagamentos. Já o Norte e o Nordeste tendem a enfrentar estiagens prolongadas, o que afeta o abastecimento de água e a produção agrícola. No Sudeste e Centro-Oeste, a tendência é de maior irregularidade nas chuvas e episódios de calor acima da média.

O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño, o planeta costuma registrar aquecimento adicional, somando-se ao efeito das emissões de gases de efeito estufa. Em 2024, por exemplo, a combinação entre um evento intenso e o aquecimento global contribuiu para o ano mais quente já registrado.

Apesar das projeções convergentes, especialistas destacam que ainda há incertezas quanto à intensidade final do próximo episódio. Fatores como variações nos ventos e interações com outros oceanos podem alterar o desenvolvimento do sistema.

Novas atualizações dos centros meteorológicos internacionais devem ser divulgadas nas próximas semanas, refinando as estimativas sobre a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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