Menu

Imagem da notícia Foto/Agência Brasil

O Peso da Água: Relatório da ONU revela que desigualdade de gênero trava segurança hídrica global

Mulheres e meninas gastam 250 milhões de horas por dia coletando água; estudo de 2026 pede "Água para todos com direitos iguais"

Atualizado há 7 dias

Nesta quinta-feira (19 de março), a UNESCO e a ONU-Água lançaram o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2026, intitulado "Água para todos: direitos e oportunidades iguais". O documento, divulgado antecipadamente ao Dia Mundial da Água (22 de março), expõe como a falta de acesso seguro a esse recurso básico aprofunda o abismo entre homens e mulheres.

 

    Os Números da Desigualdade

O estudo revela que a gestão da água ainda é uma tarefa solitária e física para o público feminino em grande parte do planeta:

  • Coleta Exaustiva: Mulheres e meninas passam, juntas, 250 milhões de horas por dia buscando água. Esse tempo equivale a um potencial gigantesco perdido para educação, lazer e geração de renda.

  • Responsabilidade Rural: Em domicílios rurais sem água encanada, as mulheres são as responsáveis pela coleta em mais de 70% dos casos.

  • Impacto Escolar: Entre 2016 e 2022, cerca de 10 milhões de adolescentes faltaram à escola ou ao trabalho devido à falta de instalações sanitárias adequadas para a higiene menstrual.

  • Vulnerabilidade Econômica: Quando a temperatura global sobe 1°C, domicílios chefiados por mulheres sofrem uma redução de renda 34% maior que os chefiados por homens, devido à dificuldade de acesso a recursos.

“Garantir a participação das mulheres na gestão hídrica é um fator fundamental para o progresso. Quando as mulheres têm acesso igual, todos se beneficiam”, afirmou Khaled El-Enany, diretor-geral da UNESCO.

 

    Exclusão na Tomada de Decisão

Apesar de serem as "gestoras domésticas" da água, as mulheres permanecem invisíveis onde as decisões são tomadas. O relatório aponta que elas estão sistematicamente sub-representadas em cargos de liderança, no financiamento e na governança do setor hídrico. Além disso, desigualdades na posse de terra dificultam o acesso feminino à água para fins produtivos, como a agricultura.

 

    Recomendações da ONU para 2026

Para reverter esse quadro, o relatório sugere quatro pilares de ação:

  1. Eliminar barreiras legais: Garantir direitos iguais à água e à terra.

  2. Investir em dados: Coletar informações separadas por sexo para expor as lacunas reais.

  3. Valorizar o trabalho não remunerado: Incluir o tempo de coleta de água nos cálculos de investimento público.

  4. Liderança Feminina: Fortalecer a presença de mulheres em áreas científicas e técnicas da governança hídrica.

Foto do Jornalista

Marcus Pires

Comentários (0)

Veja também

Mais

lidas
  1. 1
    Carro usado no sequestro de jovem em Itaipu é encontrado carbonizado em
  2. 2
    Corpo de idoso desaparecido em Maricá é encontrado na Estrada da Restinga
  3. 3
    Denúncia expõe trama política e familiar contra Paulo Melo
  4. 4
    Homem é preso após agredir idosa para roubar cerveja em Nova Iguaçu
  5. 5
    Homem é encontrado morto com marcas de tiros na restinga de Maricá
Mais do Gazeta