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Imagem da notícia Foto: Divulgação

Embarcação inédita transforma água em energia no Brasil

Embarcação pode operar sem emissão de carbono e sem uso de diesel.

Atualizado há 8 horas

Um barco em desenvolvimento no Brasil promete mudar o futuro da navegação ao produzir o próprio combustível em alto-mar. Batizado de JAQ H2, o projeto utiliza a eletrólise da água para gerar hidrogênio verde, fonte de energia limpa que alimenta os motores da embarcação.

Com 50 metros de comprimento, o barco está em construção no Guarujá (SP) e tem lançamento previsto para 2027. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Grupo Náutica e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), responsável por validar tecnicamente o sistema de produção de hidrogênio a bordo.

A cooperação marca a terceira fase do programa JAQ Hidrogênio Verde. O IPT atuará no desenho do sistema de eletrólise, na integração com os sistemas elétricos da embarcação e na avaliação do desempenho em condições reais de navegação. Também estão previstos estudos de viabilidade técnica, testes operacionais, análises de segurança e ensaios voltados à certificação naval e energética.

Considerada a primeira embarcação do mundo projetada para produzir o próprio hidrogênio, a JAQ H2 deve alcançar autonomia energética para viagens de longo curso. O sistema capta água, separa o hidrogênio por meio de um eletrolisador e utiliza o gás em células a combustível que movimentam motores elétricos.

O processo só é classificado como “verde” quando utiliza eletricidade de fontes renováveis, como solar ou eólica, o que elimina a emissão direta de dióxido de carbono. Nesse modelo, o único subproduto gerado é vapor d’água, substituindo o uso de combustíveis fósseis como o diesel.

Além do IPT, o projeto reúne parceiros como a fabricante GWM, o Porto do Açu (RJ), que dará suporte logístico para testes e expedições, e o SENAI Pernambuco. A proposta inclui ainda o uso da embarcação como laboratório flutuante, permitindo pesquisas científicas com baixo impacto ambiental e sem interferência significativa na fauna marinha.

Presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik afirma que a integração entre centros de pesquisa e estruturas logísticas permite avançar de um protótipo para um modelo operacional. Segundo ele, o objetivo é tornar a tecnologia replicável e viável comercialmente, com capacidade de produção de hidrogênio a bordo e abastecimento em pontos estratégicos.

O projeto já conta com uma versão anterior, o JAQ H1, embarcação de 36 metros movida a hidrogênio verde apresentada na COP30. Em abril, o modelo inicia um tour técnico partindo de Belém (PA) rumo ao Sudeste, com o objetivo de validar sistemas de propulsão.

Apontada como uma das apostas para descarbonizar o transporte marítimo, a tecnologia desenvolvida no Brasil pode abrir caminho para uma nova geração de embarcações movidas por fontes renováveis, com autonomia ampliada e impacto ambiental reduzido.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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