Foto: Washington Costa
Governo lança programa para rastrear armas e drogas em parceria com os EUA
Projeto MIT prevê troca de dados em tempo real e lançamento do sistema DESARMA para rastrear armamentos e reforçar ações contra o crime organizado transnacional.
Atualizado há 4 horas
O governo federal anunciou na última sexta-feira (10/04) um acordo de cooperação com os Estados Unidos voltado ao combate ao tráfico internacional de drogas e armas. A iniciativa, chamada Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), estabelece a integração entre a Receita Federal do Brasil e a agência de fronteiras norte-americana U.S. Customs and Border Protection (CBP).
O objetivo é ampliar o intercâmbio de inteligência e permitir operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas, sobretudo em rotas consideradas sensíveis. A articulação faz parte de uma agenda bilateral mais ampla de enfrentamento ao crime organizado transnacional, discutida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o acordo prioriza medidas práticas para fortalecer a segurança nos dois países: “Estamos adotando ações concretas que permitem manter Brasil e Estados Unidos mais seguros, com inteligência e combate ao crime organizado”.
A construção da cooperação começou em janeiro de 2026, após uma visita técnica a Foz do Iguaçu (PR), com foco na atuação em áreas estratégicas como a região da Tríplice Fronteira.
Compartilhamento de dados e novo sistema
Um dos principais eixos do acordo é o lançamento do programa DESARMA, sistema informatizado da Receita Federal que amplia a capacidade de rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis.
A ferramenta permite o compartilhamento, em tempo real, de informações sobre cargas suspeitas identificadas pelas aduanas dos dois países. Entre os itens monitorados estão armas, munições, peças, componentes e explosivos, além de outros produtos classificados como sensíveis.
O sistema também registra dados detalhados das apreensões, como origem das mercadorias, informações logísticas, identificação de exportadores e remetentes, além de possíveis números de série. Em casos de apreensão, são enviados alertas automáticos às autoridades do país de origem, o que possibilita ações ainda na fonte.
Segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a expectativa é ampliar rapidamente a base de dados e a cooperação operacional. Ele destacou que o avanço ocorre com respeito à soberania de ambos os países e dentro dos acordos internacionais vigentes.
A iniciativa é respaldada por instrumentos legais, incluindo a Portaria RFB nº 663/26, que autoriza o compartilhamento de informações e a realização de ações coordenadas com autoridades estrangeiras.
Resultados e apreensões recentes
O intercâmbio de informações já contribuiu para identificar métodos sofisticados de ocultação de ilícitos. Entre os casos detectados estão partes de fuzis escondidas em equipamentos de airsoft e drogas camufladas em produtos comuns, como ração animal, enviadas por remessas postais.
Dados recentes apontam a dimensão do problema. Nos últimos 12 meses, a Receita Federal registrou 35 ocorrências envolvendo armamentos ilegais, com apreensão de cerca de 1.168 partes e peças, totalizando aproximadamente 550 quilos. A maior parte do material teve origem na Flórida, nos Estados Unidos.
No combate ao tráfico de drogas, o volume também cresceu. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram apreendidos 1.562 quilos de entorpecentes provenientes dos EUA, com destaque para operações no Aeroporto Internacional de Guarulhos. O cenário indica mudanças no perfil das remessas, com uso maior de cargas e diversificação dos pontos de origem.
Estratégia de segurança e cooperação internacional
O acordo integra uma estratégia mais ampla do governo brasileiro, que aposta no uso de tecnologia, inteligência e cooperação internacional para desarticular redes criminosas. A troca de informações e a atuação coordenada tendem a ampliar a capacidade de investigação, reduzir a circulação de armas e drogas e fortalecer o controle nas fronteiras.
A agenda bilateral segue em andamento. Entre os dias 14/04 e 17/04, o ministro da Fazenda cumpre compromissos em Washington, onde participa dos Encontros de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, com discussões que incluem temas econômicos e de cooperação internacional.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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