Silvio Almeida e Quaquá/Foto: Reprodução das redes sociais de Quaquá
Quaquá convida ex-ministro para atuar em projetos de Maricá
O ex-ministro Silvio Almeida deve coordenar o Museu da Contribuição Africana ao Brasil e colaborar com a UniMar.
Atualizado há 27 dias
O vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, convidou o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida para atuar em projetos culturais e acadêmicos no município. O convite foi feito durante um encontro realizado neste domingo (12/04), em São Paulo, e, segundo o prefeito, foi aceito.
De acordo com Quaquá, Almeida deve coordenar o futuro Museu da Contribuição Africana ao Brasil (também referido como Museu da Escravidão Negra no Atlântico) e colaborar com a estruturação da Universidade do Mar (UniMar), iniciativa anunciada em 2022 em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mas ainda não implementada.
Em publicação nas redes sociais, o prefeito descreveu o ex-ministro como “um grande intelectual da negritude e da periferia brasileira”. Também participaram do encontro o arquiteto e empresário Alex Allard e o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues.
O museu foi anunciado por Quaquá em agenda internacional realizada em Lisboa, com a proposta de valorizar a influência africana na formação histórica e cultural do país. Já a UniMar segue em fase de planejamento.
A aproximação ocorre enquanto avança o processo contra Silvio Almeida. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por importunação sexual. O processo, que corre sob sigilo, é conduzido pelo ministro André Mendonça e tem entre as vítimas apontadas a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
As acusações vieram a público em 2024, após denúncias encaminhadas à organização Me Too Brasil, e levaram à exoneração de Almeida do governo federal. Anielle Franco prestou depoimento sobre o caso ainda em 2024.
Almeida nega as acusações. Em manifestações públicas, declarou ser “inocente” e afirmou que responderá “no lugar certo, na Justiça”. O ex-ministro também critica o que classifica como “linchamento público” e sustenta que houve uso político das denúncias.
Quaquá já havia se posicionado anteriormente em defesa de Almeida, criticando o que chamou de cultura de cancelamento e afirmando que o ex-ministro mereceria “perdão cristão”, independentemente da confirmação das denúncias.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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