Foto: Lucas Macedo
Operação mira “núcleo político” ligado ao Comando Vermelho no Amazonas
Investigação aponta uso de contratos nos setores de transporte e logística para abastecer o tráfico com drogas vindas da Colômbia.
Atualizado há 34 dias
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou uma operação contra um esquema ligado ao Comando Vermelho que, segundo as investigações, mantinha um “núcleo político” com acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no estado na manhã desta sexta-feira (20/02). Até o momento, 14 pessoas foram presas, sendo oito no Amazonas.
Entre os alvos está uma integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito, que não é investigado. Também foram presos ou alvo de mandados um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores parlamentares.
A Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de autorizar bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário. As ordens são cumpridas em Manaus e nos municípios de Belém e Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA).
Segundo a polícia, a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018 (média de R$ 9 milhões por ano) por meio de empresas de fachada nos ramos de transporte e locação. A estrutura seria dividida em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico.
As investigações indicam que essas empresas eram utilizadas para adquirir drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus, de onde os entorpecentes eram distribuídos para outros estados. O grupo também utilizava rotas fluviais e terrestres, veículos alugados em nome de terceiros e embarcações para dificultar o rastreamento.
Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações bancárias consideradas atípicas e incompatíveis com a renda declarada dos investigados, incluindo transferências entre empresas vinculadas ao grupo e pessoas em diferentes estados.
A apuração teve início após a apreensão de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações, um veículo utilitário e celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante na ocasião, o que levou à abertura de inquérito para identificar a cadeia de comando, financiadores e operadores logísticos.
Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Até o momento, as defesas dos alvos não se manifestaram. O gabinete do prefeito de Manaus também foi procurado, mas não havia se pronunciado até a última atualização desta reportagem.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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