Rodrigo Bacellar, Adilsinho e Márcio Poncio são alvos de nova fase da operação Unha e Carne/Foto: Reprodução
PF deflagra 5ª fase da Operação Unha e Carne e mira esquema de vazamento para o Comando Vermelho
Ação autorizada pelo STF cumpre 17 mandados, investiga lavagem de dinheiro e supostas ligações entre integrantes do jogo do bicho, agentes públicos e o crime organizado.
Atualizado há 1 horas
A Polícia Federal (PF) deflagra a quinta fase da Operação Unha e Carne durante a manhã desta quinta-feira (02/07), para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de ações policiais ao Comando Vermelho (CV). A nova etapa também apura indícios de lavagem de dinheiro e possíveis conexões entre integrantes da cúpula do jogo do bicho e agentes públicos do Estado do Rio de Janeiro.
A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão preventiva nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Entre os alvos está o pastor Márcio Poncio, preso na manhã desta quinta-feira. Também figuram entre os investigados o contraventor Adilsinho, apontado pela Polícia Federal como um dos líderes da nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo a investigação, ambos são suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria ramificações junto a agentes públicos. Adilsinho e Bacellar já estavam presos por outros processos quando a operação foi deflagrada, e, de acordo com a PF, Bacellar será transferido para um presídio federal.
Outro alvo da operação é Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, contra quem foi expedido mandado de busca e apreensão.
Listas apreendidas deram origem à nova fase
De acordo com a Polícia Federal, a quinta fase da Operação Unha e Carne foi desencadeada após a apreensão de listas atribuídas a Adilsinho durante as investigações. Os documentos conteriam registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro.
O material passou a ser analisado pelos investigadores por indicar possíveis repasses a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro, o que ampliou o foco da investigação para uma eventual participação de integrantes dos poderes Executivo e Legislativo no esquema.
A PF utiliza o termo "capo" para se referir a Adilsinho, expressão derivada da estrutura hierárquica da máfia italiana e empregada para designar um integrante de alto escalão responsável por comandar grupos criminosos e administrar suas atividades.
Apuração busca identificar beneficiários do esquema
Segundo a Polícia Federal, esta fase da investigação concentra-se na análise dos documentos e demais materiais apreendidos para rastrear o fluxo financeiro do suposto esquema. Os investigadores pretendem identificar beneficiários, intermediários e operadores das movimentações suspeitas, além de esclarecer a possível participação de agentes públicos.
Ainda conforme a PF, a operação integra as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. A decisão estabeleceu, entre outras providências, que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação das principais organizações criminosas violentas no Estado do Rio de Janeiro e suas eventuais conexões com agentes públicos.
A operação segue em andamento, e novas informações poderão ser divulgadas pela Polícia Federal ao longo do dia.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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