Foto: Divulgação
PF encontra menções a Toffoli e políticos no caso Baco Master
Relator rejeita suspeição; investigação aponta conexões do banco com autoridades dos Três Poderes.
Atualizado há 42 dias
A Polícia Federal concluiu na quarta-feira (11/02) a perícia do material apreendido nas operações que investigam o Banco Master e identificou, no celular do empresário Daniel Vorcaro, mensagens com menções ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a políticos com foro privilegiado.
Preso em novembro de 2025, Vorcaro usa tornozeleira eletrônica e é investigado por fraudes financeiras bilionárias na gestão do banco. A instituição é acusada de inflar artificialmente balanços, causando prejuízos ao sistema financeiro.
As mensagens analisadas contêm referências frequentes a autoridades desde 2022, descritas como uma “tempestade” de menções a políticos, em comparação à delação da Odebrecht na Lava Jato. Até o momento, apenas o nome de Toffoli foi oficialmente confirmado entre os citados, mas a PF aponta conexões do banqueiro com integrantes dos Três Poderes.
As mensagens mencionariam supostos pagamentos direcionados ao ministro, relator do caso no STF. A PF apura se transferências teriam partido de empresa que foi sócia de fundo ligado ao Master no Tayayá Resort, no Paraná (empreendimento frequentado por Toffoli e que já teve seus irmãos como sócios). Um fundo gerido por empresa citada na investigação investiu R$ 4,3 milhões no local. Atualmente, a família do ministro não integra o quadro societário.
Antes mesmo da revelação sobre a composição societária do resort, a atuação de Toffoli na relatoria já era alvo de questionamentos. Após assumir o caso, ele viajou à final da Libertadores, no Peru, no mesmo jatinho de um advogado ligado à defesa do banco. Em 2026, determinou que o material apreendido fosse lacrado e enviado ao STF, decisão que provocou reação na PF. Posteriormente, autorizou acesso aos documentos, mas designou agentes próprios para acompanhar a perícia.
Com a identificação de menções ao ministro no celular de Vorcaro, a PF pediu sua suspeição no processo. Caberá ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, analisar o pedido e decidir se há conflito de interesse. Após ser informado, Fachin solicitou manifestação do relator.
Em nota, Toffoli afirmou que a PF não tem legitimidade para requerer sua suspeição e classificou as mensagens como “ilações” desconexas da realidade. O ministro reiterou que é sócio da empresa Maridt, administrada por familiares, e que a companhia vendeu participação no Tayayá ao Fundo Arleen, ligado a Vorcaro. Disse ter declarado à Receita Federal os dividendos recebidos, negou qualquer relação de amizade com o banqueiro e afirmou nunca ter recebido valores dele ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.
A investigação também revelou diálogos de Vorcaro com deputados e senadores, incluindo ao menos um presidente de partido. Embora os nomes não tenham sido oficialmente divulgados, o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) confirmou ter tratado com o empresário sobre um fundo imobiliário na Bahia, mas afirmou que o negócio não avançou. O senador Jaques Wagner (PT-BA) admitiu ter sugerido o nome de Ricardo Lewandowski como consultor do banco. O ex-ministro do STF confirmou ter prestado consultoria após deixar a Corte e antes de assumir o Ministério da Justiça.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou-se com Vorcaro em dezembro de 2024, fora da agenda oficial, reunião que contou com a presença de Gabriel Galípolo, então diretor do Ministério da Fazenda e atual presidente do Banco Central. O empresário também relatou à PF encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para tratar da venda de ativos do Master ao BRB.
Fundos públicos estaduais também investiram na instituição, como a Rioprevidência, que aplicou R$ 1 bilhão, e a Amprev, do Amapá. No cenário eleitoral, Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) foi o maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022, com mais de R$ 5 milhões em doações. Ele também foi alvo de operação da PF.
Reportagens ainda apontaram contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e a esposa do ministro Alexandre de Moraes, além de reuniões do magistrado com Galípolo para tratar de interesses do banco.
Com a citação de autoridades com foro especial, o caso deve permanecer no STF. O foro privilegiado prevê que determinadas autoridades sejam julgadas por tribunais superiores por atos praticados no exercício do mandato.
A revelação das mensagens abre novas frentes de investigação e amplia a pressão política. Um pedido de instalação de CPI foi protocolado no Congresso, e a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado criou grupo de trabalho para acompanhar o caso.
A defesa de Vorcaro criticou o que chamou de vazamento “seletivo” de informações, afirmando que a divulgação provoca constrangimentos e prejudica o direito de defesa. Segundo os advogados, é necessário respeito ao contraditório e ao devido processo legal na condução das investigações.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
Veja também
Mais
lidas- 1
Carro usado no sequestro de jovem em Itaipu é encontrado carbonizado em

- 2
Corpo de idoso desaparecido em Maricá é encontrado na Estrada da Restinga

- 3
Denúncia expõe trama política e familiar contra Paulo Melo

- 4
Homem é preso após agredir idosa para roubar cerveja em Nova Iguaçu

- 5
Homem é encontrado morto com marcas de tiros na restinga de Maricá

Comentários (0)