© Saulo Cruz/Agência Senado
Senadores cobram Comissão de Valores Mobiliários por suposta omissão no caso do Banco Master
Parlamentares questionam fiscalização e presidente interino da CVM defende atuação da autarquia
Atualizado há 29 dias
A Comissão do Banco Master no Senado Federal cobrou, nesta terça-feira (24), explicações do presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos Accioly, sobre uma suposta omissão da autarquia na fiscalização do Banco Master, acusado de fraude bilionária no mercado de capitais.
O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), afirmou que não seria a primeira vez que a CVM falha na prevenção de grandes escândalos financeiros. Ele citou o caso das Lojas Americanas como exemplo de episódio anterior em que, segundo ele, “nada foi feito”.
“Estamos falando de milhões de brasileiros que estão sendo prejudicados porque o dinheiro do seu fundo de previdência evaporou-se de forma criminosa. E não dá pra dizer que a CVM não foi omissa”, declarou.
Papel da CVM
A CVM é a autarquia federal responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais no Brasil, incluindo a bolsa de valores, além de atuar na proteção de investidores contra fraudes e práticas ilegais. Vinculada ao Ministério da Fazenda, possui independência administrativa e orçamentária, com dirigentes de mandato fixo.
Durante a sessão, Eduardo Braga sugeriu que a situação poderia ir além de omissão, levantando questionamentos sobre possível conflito de interesses, ao mencionar que recursos de clientes teriam sido usados para cobrir déficits da instituição financeira investigada.
Defesa da autarquia
No cargo desde maio de 2022, João Accioly afirmou que, se houve omissão, foi na comunicação pública das ações adotadas.
Segundo ele, a CVM teria identificado indícios de irregularidades e comunicado o Ministério Público Federal (MPF) em junho de 2025, apontando um suposto aporte de quase R$ 500 milhões em clínicas de fachada. A partir dessas informações, teria sido deflagrada a operação “Compliance Zero”, conduzida pela Polícia Federal.
Accioly informou ainda que cerca de 200 processos foram abertos no âmbito da CVM, sendo 24 relacionados à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
“A responsabilidade do crime é dos criminosos, não das instituições de fiscalização”, afirmou, reconhecendo, porém, que sempre há espaço para aperfeiçoamento institucional.
Questionamentos sobre falhas
A senadora Leila Barros (DF) questionou onde teria ocorrido a falha no sistema de proteção ao mercado financeiro, já que, segundo Accioly, as irregularidades haviam sido identificadas.
O presidente interino respondeu que é prematuro apontar falhas definitivas, mas informou que a CVM criou um grupo de trabalho para revisar os procedimentos internos e identificar possíveis lacunas.
O colegiado da autarquia é composto por um presidente e quatro diretores, nomeados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado. Atualmente, três cadeiras de diretoria estão vagas, sendo duas aguardando sabatina.

Sara Celestino
Repórter-fotográfica, atuando na produção de conteúdo com objetivo de compartilhar a melhor informação para manter você bem-informado! E-mail. gazetarj@gmail.com
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