Menu

Imagem da notícia O reator está localizado em SP, em uma cidade universitária/Foto: Thiago Félix

Superaquecimento provoca incidente em reator nuclear em São Paulo

Sala de controle do reator IEA-R1 foi atingida por incêndio localizado; autoridades descartam risco radiológico e investigam causas do superaquecimento.

Atualizado há 2 horas

Um incidente envolvendo a presença de fumaça na sala de controle do reator nuclear de pesquisa IEA-R1 mobilizou equipes de emergência na tarde da última segunda-feira (23/03) no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado na zona oeste de São Paulo. O episódio foi detectado por volta das 15h pelo sistema de combate a incêndio da instalação.

De acordo com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), a ocorrência está associada ao superaquecimento de dois painéis de controle. As evidências iniciais apontam para falha em componentes elétricos, mas as causas ainda não foram determinadas. Uma empresa especializada foi contratada para elaborar laudo técnico e orçamento para substituição dos equipamentos danificados.

O reator estava desligado no momento do incidente, o que impediu qualquer atuação operacional dos sistemas diretamente ligados aos painéis afetados. Ainda assim, parte da estrutura permanecia energizada para garantir condições de segurança, como os sistemas de refrigeração e monitoramento.

Resposta imediata e contenção

Assim que a fumaça foi identificada, a equipe de operação desligou a alimentação elétrica do prédio e acionou os protocolos previstos no Relatório de Análise de Segurança da unidade. A brigada de incêndio do instituto, com apoio do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), atuou em conjunto com o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar.

O prédio foi evacuado, e o número reduzido de pessoas no local foi conferido por meio de registros eletrônicos de acesso. Segundo a Cnen, não houve registro de feridos.

Nos dias seguintes, 24/03 e 25/03, foi confirmado que um incêndio de natureza localizada atingiu a sala de controle, afetando um conjunto de racks e parte do cabeamento, com propagação pontual até o teto. Uma cadeira próxima também foi atingida pelas chamas.

Relatos dizem que o reator produziu
Relatos dizem que o reator produziu "luz azul mais bonita do mundo" durante o incêndio/Foto: Thiago Félix

Avaliação técnica e ausência de risco radiológico

Equipes da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) realizaram inspeção no local e descartaram qualquer contaminação radioativa. A análise incluiu técnicas de radioproteção, como o método de esfregaço, utilizado para detectar possíveis resíduos.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) também foi acionada para avaliar a qualidade do ar. Uma bomba de exaustão foi instalada para remover completamente o ar do ambiente afetado, diante da presença de fumaça densa e fuligem.

Apesar da ausência de risco radiológico, os inspetores identificaram a necessidade de atenção quanto à possível inalação de resíduos químicos resultantes da queima de materiais. Por isso, será իրականացada uma limpeza industrial especializada na sala de controle.

Um relatório técnico detalhado será elaborado pelo IPEN/CNEN, com acompanhamento da ANSN, para análise completa do evento e definição das medidas necessárias para o restabelecimento seguro das operações.

Estrutura estratégica para a saúde

Inaugurado em 1957, durante o governo de Juscelino Kubitschek, o reator IEA-R1 é um dos principais equipamentos de pesquisa nuclear do país. Desenvolvido em parceria entre o Ipen e a Marinha, o dispositivo é conhecido pelo fenômeno visual da luminescência azul, resultado da radiação em meio aquático.

Além do caráter científico, o reator desempenha papel central na produção de radioisótopos utilizados na medicina, especialmente na radioterapia. Um dos processos envolve o enriquecimento do mineral lutécio, que, após exposição à radiação dentro de uma piscina de nove metros de profundidade, transforma-se no isótopo Lutécio-177.

Esse material é empregado no tratamento de câncer, contribuindo para a eliminação de células tumorais.

Histórico e investigação

Segundo a Cnen, em mais de 68 anos de operação, nunca havia sido registrado um episódio semelhante na instalação. Ainda assim, a instituição destacou que as equipes são treinadas regularmente para lidar com situações de emergência, incluindo simulados de evacuação realizados em conjunto com o Corpo de Bombeiros.

A presidência da Cnen informou a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear sobre o ocorrido, e as instituições atuam de forma integrada na apuração dos fatos.

Até o momento, não há diagnóstico conclusivo sobre a origem do superaquecimento dos painéis. A investigação segue em andamento, e a retomada das atividades do reator dependerá da avaliação técnica e da aprovação dos órgãos reguladores.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

Comentários (0)

Veja também

Mais

lidas
  1. 1
    Senado aprova projeto que equipara misoginia ao racismo
  2. 2
    Vagão feminino passa a operar 24h no metrô do Rio de Janeiro
  3. 3
    DER moderniza fiscalização eletrônica em estradas estaduais do RJ
  4. 4
    TSE condena Castro e Bacellar por abuso nas eleições
  5. 5
    Julgamento do caso Henry Borel é adiado após impasse e manobra da defesa
Mais do Gazeta