Refinaria chinesa na província de Liaoning/Foto: Chen Aizhu
Conflito no Oriente Médio pressiona petróleo e China pode ser a principal afetada
Importações elevadas de Irã e Rússia e reservas estratégicas garantem segurança no curto prazo no país, apesar da alta de 9% no barril.
Atualizado há 32 dias
As recentes ofensivas envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, que afetaram rotas estratégicas de transporte de petróleo no Oriente Médio, colocaram a China no centro das atenções do mercado global. Maior importadora mundial da commodity, o país asiático poderia ser um dos mais impactados pelo conflito. No entanto, operadores avaliam que o risco imediato de desabastecimento é baixo.
Segundo traders ouvidos pelo mercado, refinarias chinesas (especialmente as independentes) contam com embarques recordes de petróleo iraniano e russo, além de estoques elevados acumulados pelo governo. A China é o principal destino do petróleo iraniano, vendido com desconto devido às sanções impostas por Washington.
Na segunda-feira (02/03), operadores chineses adotaram postura cautelosa diante do ataque conjunto de EUA e Israel ao Irã, da retaliação de Teerã no Golfo e da ampliação das tensões para o Líbano. O barril do petróleo registrou alta de 9% no dia. “O mercado está nervoso e a situação pode mudar a qualquer momento”, afirmou um trader sênior de uma grande refinaria independente.
Outro operador, da província de Shandong, relatou hesitação em fechar novos contratos enquanto o cenário permanece incerto. Ainda assim, destacou que não há preocupação com as entregas de março e abril, diante da oferta abundante de barris russos e dos volumes recordes de petróleo iraniano em trânsito marítimo.
Dados da Kpler indicam que as importações chinesas de petróleo iraniano somam 11,5% do total marítimo neste ano, enquanto o petróleo russo representa 10,5%. Em fevereiro, os carregamentos iranianos alcançaram 2,15 milhões de barris por dia, maior nível desde julho de 2018. A Vortexa estimou volume semelhante, de 2 milhões de barris diários.
As importações russas também devem bater recorde pelo terceiro mês consecutivo, impulsionadas pela redução das compras indianas. A mistura russa ESPO segue sendo negociada com desconto entre US$ 8 e US$ 9 por barril em relação ao ICE Brent. Já o petróleo iraniano teve o desconto reduzido de US$ 11 para cerca de US$ 9 por barril.
Analistas apontam que o aumento da tensão pode diminuir ainda mais os descontos do petróleo iraniano, diante da expectativa de oferta mais restrita. Também circulam especulações de que eventuais mudanças no controle das exportações iranianas poderiam levar à revisão das sanções dos EUA.
Além da diversificação de fornecedores, com maior participação de Rússia e Brasil desde o ano passado, a China mantém cerca de 900 milhões de barris em estoques estatais, o equivalente a 78 dias de importações, segundo estimativas da Vortexa e de operadores.
Com oferta abundante e reservas elevadas, especialistas avaliam que as refinarias independentes chinesas não devem recorrer ao mercado convencional no curto prazo. Caso o petróleo iraniano perca o desconto associado às sanções, a tendência é de retorno ao padrão anterior de compras, com preferência por cargas russas e também por volumes do Brasil, Canadá e produção offshore chinesa.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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