B-52 operando na década de 60/Foto: Divulgação Força Aérea dos EUA
EUA usam bombardeiros com capacidade nuclear em ação no Irã
Emprego de bombardeiros com potencial nuclear amplia pressão militar e acende alerta internacional.
Atualizado há 8 horas
Os Estados Unidos realizaram, nesta terça-feira (31/03), o primeiro sobrevoo com bombardeiros estratégicos B-52 no espaço aéreo do Irã desde o início da guerra. A operação foi confirmada por autoridades militares norte-americanas e divulgada pela imprensa internacional, incluindo o jornal The New York Times.
A ação marca uma mudança no padrão de atuação dos EUA no conflito e indica ampliação da presença militar na região. Os B-52 são considerados peças centrais da estratégia aérea norte-americana e têm capacidade de transportar armamentos de alta precisão, além de ogivas nucleares (embora não haja confirmação de uso desse tipo de armamento na operação).
Segundo o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, as aeronaves passam a ser empregadas em missões voltadas à interrupção de cadeias logísticas iranianas. O foco são rotas e estruturas que abastecem a produção de mísseis, drones e embarcações militares: “Dado o aumento da superioridade aérea, começamos com sucesso a realizar as primeiras missões terrestres com o B-52, o que nos permite continuar a superar o inimigo e atingir alvos cada vez mais dinâmicos”. De acordo com o militar, o objetivo é impedir a recomposição dos arsenais utilizados no conflito.
O uso dos bombardeiros também pode indicar fragilidades na defesa aérea iraniana. Por serem aeronaves de grande porte e menor agilidade em comparação a caças, os B-52 são considerados mais vulneráveis a sistemas antiaéreos, o que torna o sobrevoo um movimento estratégico relevante.
Histórico e capacidade do B-52
Produzido pela Boeing desde a década de 1950, o B-52 é um dos principais vetores estratégicos da Força Aérea dos Estados Unidos e permanece em operação há mais de 60 anos. Ao todo, 744 unidades foram fabricadas, sendo operadas por tripulações reduzidas.
Com oito motores e alcance superior a 14 mil quilômetros sem reabastecimento, a aeronave foi projetada para missões de longo alcance e bombardeios pesados. O modelo pode transportar até 32 toneladas de armamentos, incluindo bombas, minas e mísseis de alta precisão.
Ao longo das décadas, o B-52 participou de diversas operações militares, como a Guerra do Vietnã, ações após os atentados de 11 de setembro e ofensivas contra o Estado Islâmico. Atualizado com tecnologias modernas, o modelo segue como base da capacidade ofensiva dos EUA em cenários de conflito convencional e deve permanecer em operação até pelo menos 2050.
Além das missões de ataque estratégico, o bombardeiro também é utilizado em apoio aéreo, interdição e operações marítimas. Equipado com sensores avançados e sistemas de monitoramento, consegue cobrir grandes áreas em curto intervalo de tempo.
Escalada e ameaças de retaliação
O envio dos B-52 ocorre em meio à escalada do conflito e um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgar um vídeo que mostra uma explosão na cidade iraniana de Isfahan. O alvo seria um depósito de munições, mas não há confirmação sobre a participação das aeronaves na ação.
A movimentação aumentou a tensão regional, especialmente após declarações da Guarda Revolucionária do Irã. Ainda nesta terça-feira, a corporação afirmou que pretende retaliar ataques recentes e indicou que empresas norte-americanas com atuação no Oriente Médio podem ser consideradas alvos.
Entre as companhias citadas estão a Boeing, fabricante do B-52, além de gigantes de tecnologia como Meta, Google, Apple e Microsoft. A organização também fez alertas públicos para que funcionários dessas empresas deixem seus locais de trabalho e que moradores próximos busquem áreas seguras.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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