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Irã diz que restrição no Estreito de Hormuz mira apenas EUA, Israel e aliados
Ministro das Relações Exteriores afirma que passagem segue liberada para vários países, mas insegurança já reduz o fluxo de navios; EUA pressionam por resposta internacional.
Atualizado há 10 dias
O Irã rebateu alegações de que teria bloqueado totalmente o Estreito de Hormuz e afirmou que as restrições impostas na região atingem apenas navios ligados aos Estados Unidos, Israel e a países que apoiem ataques contra o território iraniano. Em entrevista ao canal norte-americano MS NOW neste sábado (14/03), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que a passagem continua aberta para diversas nações. Segundo ele, a limitação é direcionada apenas a adversários do país.
“Está fechado apenas para os petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos, àqueles que nos atacam e aos seus aliados”, afirmou.
O ministro acrescentou que embarcações de vários países seguem transitando pela rota, embora parte delas esteja evitando o trajeto por receio da escalada do conflito na região: “Os demais têm liberdade para passar. Claro que muitos preferem não fazê-lo por questões de segurança. Isso não tem nada a ver conosco”, declarou.
Nos últimos dias, porém, as restrições aplicadas a determinados países e as preocupações com a segurança reduziram o volume de tráfego marítimo no estreito.
Araghchi também afirmou que o governo iraniano está disposto a negociar a passagem segura de navios com outros países. Segundo ele, algumas nações já procuraram Teerã para discutir o tema: “Nossas Forças Armadas já decidiram permitir que um grupo de navios de diferentes países passe com segurança”, disse em outra entrevista ao canal CBS News, sem citar quais países participaram das conversas.
Mesmo com o clima de tensão, algumas embarcações continuam utilizando a rota. Na sexta-feira (13/03), dois navios-tanque de gás da Índia atravessaram o Estreito de Hormuz. Um dia antes, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, informou ter conversado com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sobre o trânsito de mercadorias e energia provenientes do Golfo Pérsico.
No sábado (14/003), o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump pediu que países afetados pelas restrições iranianas enviem navios de guerra à região. Em publicação na rede social Truth Social, ele afirmou que a iniciativa deveria ocorrer em conjunto com os Estados Unidos para manter a rota marítima aberta: “Muitos países, especialmente aqueles afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Hormuz, vão enviar navios de guerra, em conjunto com os Estados Unidos da América, para manter o estreito aberto e seguro”.
Algumas nações indicaram que analisam a possibilidade. A Coreia do Sul informou que avaliará cuidadosamente o pedido, enquanto o Reino Unido declarou que está examinando todas as opções para contribuir com a reabertura total da passagem.
Trump também citou outros países que, segundo ele, deveriam participar da iniciativa, como China, França, Japão e Reino Unido.
Em seu primeiro pronunciamento sobre a crise, o líder supremo do Irã orientou as forças de segurança do país a utilizar o Estreito de Hormuz como um “instrumento estratégico”, mantendo o controle sobre a passagem marítima.
O Estreito de Hormuz é um canal localizado entre Irã e Omã, conectando o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e ao oceano aberto. No ponto mais estreito, a via possui cerca de 33 quilômetros de largura.
Considerado um dos corredores energéticos mais importantes do mundo, cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente passa diariamente pela rota. A maior parte desse volume segue para países como China, Japão, Coreia do Sul e nações europeias, economias altamente dependentes de energia importada.
Com o aumento das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, a navegação na região se tornou mais arriscada. Em alguns momentos recentes, a passagem chegou a ficar praticamente paralisada para navios comerciais devido ao risco de ataques.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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