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Irã adia debate nuclear com os EUA e prioriza estabilidade regional

País busca apoio internacional e propõe negociação em etapas, contrariando a prioridade americana de tratar o programa nuclear.

Atualizado há 2 horas

O Irã tem adotado uma estratégia gradual nas negociações com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear, priorizando temas como a estabilidade regional e a garantia de acesso ao Estreito de Ormuz antes de avançar para pontos mais sensíveis.

De acordo com o professor de Relações Internacionais da PUC-Minas, Danny Zahreddine, a postura iraniana tem dificultado o avanço das tratativas. Segundo ele, Teerã evita discutir diretamente o programa nuclear neste momento para não negociar sob pressão e ganhar tempo nas conversas.

A estratégia inclui uma agenda diplomática ativa. O ministro das Relações Exteriores do Irã realizou viagens a países como Paquistão, Omã e Rússia, em busca de apoio para a proposta de negociações em etapas. A intenção é consolidar um ambiente regional mais estável antes de enfrentar questões como o programa nuclear e os mísseis balísticos.

A abordagem contraria um dos principais objetivos dos Estados Unidos, que é tratar diretamente a questão nuclear. Para o especialista, isso enfraquece a narrativa americana e mantém um impasse nas negociações.

Históricos anteriores indicam que acordos dessa natureza demandam tempo. Durante o governo Barack Obama, as negociações levaram cerca de dois anos até a formalização de um acordo. No cenário atual, a avaliação é que o Irã busca fortalecer sua posição diplomática enquanto prolonga as discussões, em uma estratégia que pode trazer ganhos no curto prazo.

No cenário interno, fontes ouvidas pelo veículo Iran International indicam que o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã realizou uma reunião para discutir o risco de novos protestos no país. O encontro foi motivado por avaliações de inteligência que apontam para possível instabilidade social nos próximos dias, impulsionada principalmente pelo agravamento da crise econômica.

Relatórios apresentados durante a reunião apontam aumento do desemprego, alta de preços e impacto direto em setores estratégicos, como petróleo, petroquímica e siderurgia, com paralisações e fechamento de unidades industriais. Também foram mencionados os efeitos das restrições prolongadas à internet, que teriam deixado parte significativa da força de trabalho sem renda.

Protestantes iranianos segurando uma bandeira pré-revolução em um levante em janeiro de 2026/Foto: Divulgação
Protestantes iranianos segurando uma bandeira pré-revolução em um levante em janeiro de 2026/Foto: Divulgação

As análises indicam ainda que a economia iraniana enfrentaria dificuldades para suportar um bloqueio naval prolongado, enquanto a interrupção de atividades financeiras (incluindo bancos e bolsas) tem afetado o funcionamento do mercado e a definição de preços.

Segundo as fontes, autoridades avaliam que novos protestos são inevitáveis, com incerteza apenas sobre o momento em que ocorrerão. A proximidade do Dia do Trabalhador, em 1º de maio, tem elevado a preocupação, diante de mobilizações recorrentes de trabalhadores, aposentados e professores por melhores condições de vida, pagamento de salários e direitos trabalhistas.

Também há apreensão em relação a possíveis convocações feitas por figuras da oposição no exterior, o que poderia ampliar a adesão às manifestações. Integrantes do conselho avaliam que eventuais protestos durante as negociações com os Estados Unidos podem representar risco adicional ao cenário político interno.

Nos últimos anos, o país tem registrado sucessivas ondas de protestos motivadas por dificuldades econômicas e insatisfação social. Em resposta, as autoridades adotaram medidas como restrições à internet, limitações de comunicação e mobilização de forças de segurança para conter as manifestações.

Enquanto isso, as tensões e conflitos no Oriente Médio polarizam a geopolítica global e afetam fortemente as economias ao redor do globo, seja no cenário energético, na escassez de insumos oriundos da região ou no fomento bélico gerado.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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