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Imagem da notícia Foto: Divulgação Receita Federal

Canetas emagrecedoras adulteradas preocupam autoridades e especialistas

Análises identificaram substâncias desconhecidas, baixa pureza e risco de contaminação em medicamentos vendidos ilegalmente no Brasil.

Atualizado há 1 horas

O avanço do mercado clandestino de canetas emagrecedoras tem acendido um alerta entre autoridades sanitárias e especialistas. Produtos vendidos como tirzepatida e semaglutida (princípios ativos usados em medicamentos para diabetes e obesidade) vêm sendo adulterados, falsificados ou manipulados sem controle sanitário, provocando reações graves em pacientes.

Segundo especialistas, análises laboratoriais identificaram medicamentos com pureza muito abaixo do aceitável, ausência completa da substância prometida, presença de contaminantes e até compostos proibidos para uso injetável, como sibutramina.

A endocrinologista Maria Fernanda Barca, da Faculdade de Medicina da USP, afirma que muitos desses produtos são fabricados em ambientes sem condições adequadas de esterilidade e sem rastreabilidade dos insumos utilizados.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

“Quando o produto sequer contém tirzepatida (ou traz ingredientes não declarados) estamos diante de falsificação”, afirmou.

O endocrinologista Clayton Macedo, do Hospital Israelita Albert Einstein, revelou que testes independentes encontraram frascos vendidos como tirzepatida com pureza entre 7% e 14%, enquanto o medicamento original exige índice próximo de 99%.

As consequências podem ser graves. Pacientes relataram vômitos intensos, diarreia, tontura, taquicardia, manchas pelo corpo e necessidade de atendimento hospitalar após aplicações de produtos clandestinos.

O chef de cozinha Paulo Marin, de 50 anos, contou que utilizou uma suposta “caneta do Paraguai” após recomendação informal. Poucas horas depois, apresentou náuseas, vômitos, enxaqueca e diarreia.

“Fui parar no hospital”, disse.

Já a aposentada Ivete de Freitas, de 69 anos, teve placas vermelhas pelo corpo após utilizar um medicamento adquirido fora da rede oficial, mesmo possuindo prescrição médica legítima.

Especialistas alertam que produtos sem cadeia fria adequada podem sofrer degradação química, tornando a substância instável e potencialmente perigosa. Há ainda risco de infecções, abscessos, hipoglicemia, arritmias e até morte.

Foto: Freepic
Foto: Freepic

A Receita Federal aponta Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, como principal rota de entrada desses medicamentos ilegais no país. Somente entre janeiro e maio deste ano, mais de 69 mil unidades de emagrecedores foram apreendidas na cidade.

A Anvisa reforça que apenas medicamentos autorizados e vendidos mediante prescrição médica devem ser utilizados. A agência também orienta consumidores a desconfiar de preços muito abaixo do mercado, embalagens sem identificação adequada e produtos comercializados por atravessadores ou redes sociais.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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