Infantino, presidente da FIFA, disse a Trump, presidente dos EUA: "O troféu da Copa do Mundo é para os vencedores; é por isso que você pode segurá-lo"
Copa de 2026 começa sob denúncias de racismo, xenofobia e restrições migratórias nos EUA
Abordagens a jornalistas, negativas de vistos e críticas da ONU ampliam debate sobre racismo, xenofobia e direitos humanos às vésperas da competição.
Atualizado há 2 horas
Os Estados Unidos, um dos países-sede da Copa do Mundo de 2026 ao lado de México e Canadá, enfrentam uma onda de críticas por denúncias de racismo, xenofobia e endurecimento das políticas migratórias às vésperas do início da competição, que começa na quinta-feira (11/06). Episódios envolvendo jornalistas, árbitros, atletas e torcedores têm colocado em xeque o caráter universal do maior evento do futebol mundial.
A situação ganhou repercussão no Brasil após a jornalista da TV Globo Karine Alves relatar ter sido submetida a uma revista diferenciada ao desembarcar nos Estados Unidos para a cobertura do Mundial. Segundo ela, agentes de imigração ordenaram, de forma ríspida, que levantasse o cabelo durante a inspeção. A repórter afirmou que outras colegas não passaram pelo mesmo procedimento e destacou que relatos semelhantes são frequentes entre mulheres negras.
As críticas também aumentaram após a divulgação de imagens da seleção do Senegal sendo revistada ainda na pista do aeroporto. Durante participação no "Bom Dia Brasil", Karine afirmou que cenas como essa já evidenciam o clima de tensão em torno do torneio.
A Seleção do Senegal se pronunciou:
"Após a divulgação nas redes sociais de um vídeo mostrando jogadores e membros da equipe da seleção senegalesa sujeitos a um controle de segurança na pista de um aeroporto, gostaríamos de fornecer os seguintes esclarecimentos para evitar qualquer equívoco.
Ao contrário de algumas informações divulgadas, essa verificação não ocorreu na chegada da equipe em San Antonio, mas no momento do embarque no aeroporto de Raleigh no domingo, 07 de junho de 2026, antes da partida do voo.
Como parte da organização logística da viagem, o ônibus que transportava a seleção nacional deixou o hotel em Raleigh para ir direto para a pista do aeroporto. Este procedimento permitiu que os jogadores e membros da equipe realizassem todos os controles de segurança e policiais diretamente ao pé do avião, sem ter que passar pelas áreas habituais do terminal e das salas de embarque.
Esta disposição visava essencialmente otimizar o tempo de viagem da delegação e facilitar o seu embarque a bordo do voo privado para San Antonio.
Gostaríamos de salientar que este procedimento foi realizado em conformidade com as regras de segurança aeroportuária em vigor e que nenhum incidente específico foi relatado.
O voo privado entre Raleigh e San Antonio ocorreu em excelentes condições, e toda a delegação chegou ao seu destino normalmente".
Outro caso que provocou repercussão internacional foi o do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, integrante do quadro da Fifa desde 2018, que teve a entrada nos Estados Unidos negada apesar de possuir visto válido. A decisão impediu que ele se tornasse o primeiro somali a apitar uma Copa do Mundo. O governo da Somália classificou a medida como um golpe contra os princípios de igualdade e fair play.
Também enfrentaram problemas o fotógrafo iraquiano Talal Saleh, barrado pelas autoridades americanas, e o atacante da seleção do Iraque, Aymen Hussein, que ficou detido por sete horas para interrogatório antes de ser liberado. A seleção do Haiti relatou dificuldades para obter vistos, enquanto a Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS) denunciou negativas de entrada para jornalistas do Irã e de países africanos.
As restrições impostas pelo governo de Donald Trump atingem ainda torcedores de algumas nações. Para cidadãos do Irã e do Haiti, há proibição de entrada como espectadores, enquanto viajantes do Senegal e da Costa do Marfim enfrentam severas limitações para obtenção de vistos. Organizações de direitos humanos afirmam que o temor de abordagens, detenções e ações da agência de imigração ICE já levou muitos torcedores a desistirem da viagem.
Em meio ao agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã, a delegação iraniana também acusou Washington de criar obstáculos à participação do país na competição. Embora os vistos dos jogadores tenham sido emitidos, integrantes da comissão técnica tiveram autorizações negadas. A federação iraniana afirmou que a medida compromete a igualdade entre as seleções.
As críticas às políticas migratórias americanas chegaram às Nações Unidas. Nesta quarta-feira (10/06), o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu que os Estados Unidos "repensem profundamente" a aplicação das medidas de controle migratório durante o Mundial. Segundo ele, é necessário revisar políticas que afetam a dignidade humana, especialmente às vésperas da Copa.
Além das denúncias de discriminação, a Fifa também enfrenta questionamentos por sua proximidade com o presidente Donald Trump, pelas investigações sobre a venda de ingressos e pelos impactos ambientais do torneio. No entanto, as acusações de racismo, xenofobia e exclusão de torcedores e profissionais estrangeiros têm dominado o debate internacional às vésperas do início da Copa do Mundo de 2026.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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