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Imagem da notícia Marcelo Arantes/Foto: Divulgação

Ginecologista preso em Goiânia é suspeito de abusar de pacientes durante consultas

Vítimas relatam condutas inadequadas durante exames; ao menos 23 mulheres já foram identificadas e polícia investiga padrão de atuação.

Atualizado há 2 horas

O médico ginecologista Marcelo Arantes foi preso na última quinta-feira (24/04), em Goiânia, suspeito de cometer uma série de estupros contra pacientes durante consultas. Segundo relatos de vítimas à TV Globo, sob anonimato, o profissional utilizava justificativas médicas para praticar abusos durante exames.

Uma das pacientes afirmou que percebeu irregularidades no atendimento. “Aí é quando você sente que realmente foi violada, violentada mesmo”, disse. Outra mulher relatou que o médico iniciou o procedimento com um aparelho de ultrassom de forma incomum e passou a ter contato físico indevido. “Quando eu fui fazer o exame, ele pegou o aparelhinho do endovaginal e passou por fora, coisa que não se faz. (…) começou a me alisar”, contou. Ela também disse que, durante outro exame, o médico tentou tocar partes do corpo por cima da roupa.

De acordo com as investigações, Arantes teria alegado “falta de lubrificação” para justificar uma das abordagens. Até o momento, 23 vítimas foram identificadas — sendo 10 em Goiânia e 13 em Senador Canedo, na região metropolitana.

A polícia informou que o primeiro registro de crime atribuído ao médico ocorreu em 2017. Novas denúncias surgiram em 2020 e, mais recentemente, no início de março deste ano. Para a delegada Gabriela Moura, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Senador Canedo, há indícios de atuação recorrente. “Ele aproveitava o momento de vulnerabilidade das vítimas, de mulheres que passam por procedimentos ginecológicos e ficam fisicamente e emocionalmente expostas”, afirmou.

Inicialmente, o pedido de prisão preventiva havia sido negado pelo Tribunal de Justiça, mas a decisão foi revista e a medida acabou autorizada dias depois. A polícia aponta ainda “grande potencial de reincidência”, considerando o perfil descrito como “predatório e repetitivo”.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás confirmou que o registro profissional do médico foi suspenso por ordem judicial e informou que apura as denúncias em sigilo.

A defesa de Marcelo Arantes afirmou considerar desnecessária a prisão e sustenta a inocência do cliente. Em nota, os advogados disseram que o médico “contribui integralmente com a Justiça” e o classificaram como um profissional “ético e bem conceituado”, acrescentando que ele já foi absolvido em um dos processos.

Arantes atua na área de reprodução assistida e é formado pela Universidade Federal de Goiás, com residência na mesma instituição e pós-graduação em São Paulo.

O crime de estupro está previsto no artigo 213 do Código Penal, com pena de seis a dez anos de prisão, podendo ser ampliada em casos mais graves.

Casos de violência sexual podem ser denunciados pelo telefone 180, que funciona 24 horas, ou pelo 190 em situações de flagrante. Vítimas também podem procurar atendimento em unidades de saúde, mesmo sem registro policial, para receber suporte médico e psicológico.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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