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Real lidera valorização global em 2026 e atrai capital estrangeiro
Alta do petróleo, juros elevados e entrada de capital estrangeiro impulsionam o real, que lidera valorização global em 2026, segundo levantamento da Elos Ayta.
Atualizado há 1 horas
O real é a moeda que mais se valoriza no mundo em 2026 até o momento, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta que analisou o desempenho de 27 divisas frente ao dólar. No acumulado do ano até 17/04, R$ 100 passaram de US$ 18,37 para US$ 20,08, uma alta de 10,7%, colocando o Brasil no topo do ranking global.
O avanço ocorre em um cenário de relativa estabilidade da moeda americana. No mesmo período, o Índice Dólar recuou apenas 0,11%, indicando que o movimento da moeda brasileira está mais associado a fatores internos do que a uma desvalorização global do dólar.
Entre os principais motores do desempenho está a alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões geopolíticas. Como país exportador e autossuficiente na commodity, o Brasil amplia a entrada de dólares, o que pressiona a valorização do real. O encarecimento do barril também impacta positivamente as contas públicas, com aumento da arrecadação de royalties.
A melhora nas perspectivas econômicas reforça o cenário. O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 1,9% em 2026, em contraste com a desaceleração global influenciada por conflitos no Oriente Médio. Esse ambiente tem estimulado o aumento da exposição de investidores estrangeiros ao país, tanto na bolsa quanto em títulos de renda fixa.
Outro fator relevante é o diferencial de juros. O Brasil mantém uma das maiores taxas reais do mundo, o que amplia a atratividade para o capital internacional. A taxa Selic foi mantida em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026 e, após corte recente, está em 14,75% ao ano. Mesmo com a expectativa de flexibilização monetária, o patamar segue elevado. No acumulado do ano até 16 de abril, investidores estrangeiros aportaram R$ 67,3 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo.
Para o CEO da Elos Ayta, Einar Rivero, o fortalecimento da moeda reflete um conjunto de fatores estruturais. Em análise, ele afirma que o câmbio atual é resultado de “fluxo, juros e percepção de risco”, destacando um reposicionamento do capital global em direção ao Brasil. Segundo Rivero, a valorização cria um ciclo positivo ao ampliar o retorno em dólar dos ativos brasileiros e atrair novos investimentos. “Não é apenas a bolsa que sobe, é o país que volta a ser precificado”, afirmou.
O desempenho do mercado financeiro acompanha esse movimento. A valorização do real aumenta a competitividade do Brasil em relação a outros mercados emergentes e amplia o ganho de investidores estrangeiros, fortalecendo o fluxo de capital.
Apesar do cenário favorável, especialistas apontam que o câmbio tende a oscilar conforme variáveis como a trajetória dos juros no Brasil e nos Estados Unidos, além da estabilidade fiscal. Em ano eleitoral, o risco fiscal também entra no radar. Segundo o especialista Leonardo Santana, da Top Gain, um aumento de gastos públicos pode elevar as preocupações do mercado e provocar saída de capital, pressionando o dólar.
Ainda assim, o fluxo de investimentos tem se mantido consistente, indicando uma confiança mais estrutural na economia brasileira. O desempenho do real, neste início de ano, consolida o país como um dos principais destinos de capital global, embora sujeito às mudanças do cenário externo e doméstico.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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