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Brasil entra em lista dos EUA sobre produção de drogas
Documento do Departamento de Estado aponta desvio de substâncias químicas produzidas legalmente e indica possível impacto em relações diplomáticas.
Atualizado há 4 horas
O Departamento de Estado dos Estados Unidos incluiu o Brasil na lista de países considerados principais fontes de insumos utilizados na produção de drogas ilícitas em nível global. O documento, divulgado pelo governo de Donald Trump, coloca o país ao lado de nações como China, México, Colômbia e Venezuela.
Segundo o relatório, o Brasil atua como fornecedor de matérias-primas usadas no refino de entorpecentes em diferentes continentes. Substâncias produzidas legalmente estariam sendo desviadas para rotas ilegais, abastecendo, por exemplo, a produção de cocaína em países vizinhos da América do Sul e o mercado internacional de drogas sintéticas.
O texto também cita Argentina e Chile como pontos de origem desses produtos na região, mas destaca o volume e a logística brasileiros como fatores que chamam mais atenção das autoridades americanas. Em análise sobre a Bolívia, o documento aponta que parte significativa dos precursores químicos utilizados na produção de cocaína teria origem no Brasil.
Utilizado como instrumento estratégico por Washington, o relatório avalia a atuação dos países no combate ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro, além de examinar legislações, eficiência do Judiciário e cooperação internacional. As conclusões podem influenciar acordos bilaterais, parcerias de segurança e medidas de pressão diplomática.
A divulgação ocorre em meio ao endurecimento da política antidrogas dos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em 2025. O governo norte-americano tem intensificado operações no Caribe e no Pacífico, ampliado a presença militar na região e sinalizado a possibilidade de ações mais firmes contra países associados ao tráfico.
Especialistas apontam que a classificação pode ter impactos nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O professor André Araújo, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), avalia que há risco de aumento da ingerência americana em temas de segurança regional, especialmente diante da possibilidade de enquadramento de facções brasileiras como organizações terroristas.
Já o professor Leandro Piquet, da Universidade de São Paulo (USP), explica que esse tipo de classificação faz parte de avaliações periódicas do governo norte-americano e pode ampliar recursos e agilidade no combate a organizações criminosas dentro do território dos EUA.
Apesar disso, especialistas consideram improvável que medidas mais extremas, como ações militares, sejam direcionadas ao Brasil no curto prazo, mas alertam que o cenário pode aumentar a pressão internacional e influenciar o debate sobre segurança pública e cooperação internacional.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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