Foto/Agência Brasil
Alerta Polar: Estudo "Planeta em Degelo" revela perda de 9 mil gigatoneladas de gelo desde 1976
Cidades costeiras precisam se preparar para mudanças climáticas
Atualizado há 24 dias
Um estudo inédito intitulado "Planeta em Degelo", fundamentado em dados do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), foi divulgado nesta segunda-feira (2 de março) com um alerta contundente: o derretimento das geleiras globais atingiu um ritmo sem precedentes, ameaçando diretamente a infraestrutura e a segurança de cidades costeiras no Brasil e no mundo.
Segundo a pesquisa, o planeta perdeu 9.179 gigatoneladas (Gt) de gelo entre 1976 e 2024. Para dar uma dimensão dessa massa, o valor equivale a 18 mil vezes o peso de toda a população mundial atual.
A Aceleração do Derretimento
Os dados revelam que o fenômeno não é linear, mas sim uma curva em franca ascensão:
-
Pós-1990: Cerca de 98% de todo o gelo perdido desde 1976 derreteu após o ano de 1990.
-
Última Década: Impressionantes 41% desse degelo ocorreram apenas entre 2015 e 2024.
-
Volume Hídrico: A perda acumulada equivale a 9 mil km³ de água, volume suficiente para igualar o que o Rio Amazonas despeja no oceano durante 470 dias.
Impactos no Litoral e Clima Brasileiro
Em entrevista à Agência Brasil, o biólogo Ronaldo Christofoletti (Unifesp), que integra o projeto ComAntar, explicou que o degelo nas calotas polares (Antártica e Groenlândia) é o motor invisível de eventos extremos que já sentimos:
-
Aumento do Nível do Mar: O avanço das águas exige a adaptação imediata das orlas para conter a erosão e a perda de áreas terrestres.
-
Desastres em Série: Um levantamento apresentado na COP30 mostrou que a frequência de desastres causados por frentes frias e ciclones na costa brasileira aumentou 19 vezes nos últimos 30 anos.
-
Correntes Marítimas: O aporte de água doce vindo do degelo altera a salinidade e a temperatura dos oceanos, enfraquecendo as correntes que levam água fria da Antártica para os trópicos, o que desregula frentes frias e ciclos de chuva no Brasil.
Adaptação e Cultura Oceânica
O estudo defende que, além das metas de redução de emissões firmadas na COP30, as cidades precisam de medidas de adaptação urgente. Christofoletti destaca o Currículo Azul como uma ferramenta essencial de educação ambiental para que a sociedade compreenda que o equilíbrio do planeta depende da saúde dos oceanos.

Marcus Pires
Veja também
Mais
lidas- 1
Carro usado no sequestro de jovem em Itaipu é encontrado carbonizado em

- 2
Corpo de idoso desaparecido em Maricá é encontrado na Estrada da Restinga

- 3
Denúncia expõe trama política e familiar contra Paulo Melo

- 4
Homem é preso após agredir idosa para roubar cerveja em Nova Iguaçu

- 5
Homem é encontrado morto com marcas de tiros na restinga de Maricá

Comentários (0)