Submarino nuclear francês/Foto: Reuters
Escalada na guerra no Oriente Médio leva França a ampliar arsenal nuclear
Ataque iraniano a base britânica no Chipre amplia tensão; EUA e Israel mantêm ofensiva, enquanto Europa pede cessar-fogo imediato.
Atualizado há 22 dias
A escalada militar no Oriente Médio ganhou novos contornos nesta segunda-feira (02/03), com o anúncio da França de que ampliará seu arsenal nuclear e enviará o porta-aviões Charles de Gaulle ao Mediterrâneo. A decisão ocorre após a intensificação dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e da reação iraniana a países que abrigam bases norte-americanas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou em pronunciamento televisionado que, “diante desta situação instável e das incertezas dos próximos dias”, determinou o deslocamento do porta-aviões nuclear e de suas fragatas de escolta para a região. A França também mobilizou caças Rafale, sistemas de defesa aérea e radares aerotransportados para proteger o espaço aéreo aliado, mantendo as medidas “enquanto forem necessárias”.
Macron criticou as operações conduzidas por Estados Unidos e Israel contra o Irã, classificando-as como ações “fora da estrutura do direito internacional”, mas atribuiu à República Islâmica a “principal responsabilidade” pela instabilidade regional. Ao lado de Alemanha e Reino Unido, a França pediu a suspensão imediata dos ataques e defendeu a retomada das negociações diplomáticas como único caminho para uma paz duradoura.
Reforço nuclear e cooperação europeia
Em meio ao agravamento da crise, Macron anunciou mudanças na estratégia nuclear francesa. Pela primeira vez em décadas, o país ampliará o número de ogivas. Atualmente, a França possui cerca de 290 armas nucleares, a maioria adaptada para submarinos, segundo a Federação de Cientistas Americanos (o que a coloca como a quarta maior potência nuclear do mundo, atrás de Rússia, Estados Unidos e China).
Paris também firmou cooperação com a Alemanha para intensificar projetos de dissuasão nuclear. Exercícios conjuntos estão previstos para começar em 2026, com participação de outros aliados europeus. França, Alemanha e Reino Unido trabalharão ainda no desenvolvimento de um novo projeto de mísseis de longo alcance. “Para sermos livres, temos que ser temidos”, declarou Macron.
Base britânica atacada
O Reino Unido, que vinha adotando postura cautelosa para evitar envolvimento direto no conflito, foi surpreendido por um ataque a uma base militar no Chipre, episódio inédito na região em quatro décadas. A ilha, integrante da União Europeia e situada em posição estratégica próxima ao Oriente Médio, abriga instalações britânicas.
Um drone iraniano atingiu a pista de pouso da base e causou danos considerados mínimos pela Força Aérea. Ainda assim, o governo britânico determinou a retirada das famílias que vivem na área. Horas depois, dois outros drones foram abatidos por militares cipriotas; segundo autoridades locais, os equipamentos teriam sido lançados do Líbano pelo Hezbollah.
Em sabatina no Parlamento, o primeiro-ministro Keir Starmer defendeu a decisão de autorizar o uso de bases britânicas pelos Estados Unidos para fins defensivos. O presidente norte-americano Donald Trump classificou a medida como “frustrante” e insuficiente. Starmer ressaltou que o ataque iraniano ocorreu antes do anúncio da autorização.
O premiê também mencionou episódios recentes envolvendo ameaças atribuídas ao Irã e a grupos armados financiados pelo regime. De acordo com ele, ao menos 20 ataques potenciais em solo britânico foram registrados no último ano.
Ofensiva e retaliação
Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma série de bombardeios contra o Irã, em meio às tensões sobre o programa nuclear iraniano. Teerã respondeu com ataques a países do Oriente Médio que sediam bases militares norte-americanas, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo, a mídia estatal iraniana informou que o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, estaria entre as vítimas dos ataques. Após o anúncio, o governo iraniano ameaçou lançar a “ofensiva mais pesada” de sua história. O presidente Masoud Pezeshkian declarou que retaliar Israel e Estados Unidos é um “direito e dever legítimo” do país.
Em resposta, Trump advertiu que eventuais ações retaliatórias serão respondidas com “força nunca antes vista”. Na véspera, o presidente norte-americano afirmou que os ataques continuarão “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário” para alcançar o que definiu como objetivo de paz no Oriente Médio.
A União Europeia convocou reunião extraordinária para discutir a crise. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarou que a aliança não participa das ações contra o Irã, classificando a ofensiva como uma campanha conduzida por Estados Unidos e Israel. Enquanto os confrontos persistem, líderes europeus intensificam esforços diplomáticos para evitar a ampliação do conflito.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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