Comunidade brasileira protesta contra prisão de cineasta nos EUA
Ela estava em processo de imigração.
Atualizado há 402 dias
A detenção da cineasta brasileira Barbara Marques, de 38 anos, durante uma entrevista de residência permanente nos Estados Unidos, gerou repercussão internacional e mobilizou a comunidade brasileira no país. O caso ocorreu em 16/09, em Los Angeles, quando Barbara compareceu ao escritório do Serviço de Cidadania e Imigração acompanhada do marido, o americano Tucker May, e da advogada responsável pelo processo.
Segundo relatos, a entrevista transcorreu normalmente até que Barbara foi levada a outra sala sob a justificativa de tirar cópias de documentos. Minutos depois, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) informaram que ela havia sido presa por ausência em uma audiência de imigração em 2019, que resultara em ordem de deportação. A defesa afirma que Barbara não foi notificada da decisão porque havia mudado de endereço.
A cineasta, formada em cinema pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, dirigiu filmes como Dias de Cosme e Damião (2016), Cartaxo (2020) e PRETAS (2021). Ela não possui antecedentes criminais, e seu advogado argumenta que o procedimento adequado seria interromper temporariamente o pedido de green card, concedendo prazo para regularização.
Barbara foi transferida entre centros de detenção na Califórnia, Arkansas e Louisiana. Segundo o marido, ela relatou ter sido algemada, privada de alimentação por longos períodos e alvo de tratamento degradante por parte dos agentes.
O Itamaraty informou estar acompanhando o caso e prestando assistência consular. Já a ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis) entrou com ação coletiva contra o governo dos EUA, alegando arbitrariedades em processos de detenção de imigrantes.
A política imigratória do governo Donald Trump, marcada por endurecimento e metas de deportação em massa, é apontada como pano de fundo para situações como a de Barbara, que segue aguardando decisão judicial sobre seu habeas corpus e pedido de reabertura do processo de deportação.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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