Família de vítimas de helicóptero no Rio publica fotos durante viagem ao Brasil /Foto/ Reprodução redes social
Tragédia com helicóptero: “O último passeio de metade da minha família.”
Queda na região da Vista Chinesa mata piloto e três turistas colombianas da mesma família, pouco menos de dois meses depois da colisão entre duas aeronaves no Recreio. Nas redes sociais, familiar publica fotos da viagem e presta homenagem às vítimas.
Atualizado há 1 horas
Mais um acidente fatal envolvendo helicóptero voltou a colocar em discussão a segurança das operações aéreas no Rio de Janeiro. A queda de uma aeronave na região da Vista Chinesa, neste sábado (8), matou quatro pessoas e ocorreu menos de dois meses depois de outra tragédia com helicópteros na cidade, quando seis pessoas morreram em uma colisão no Recreio dos Bandeirantes.
Desta vez, o acidente atingiu diretamente três gerações de uma mesma família colombiana que visitava o Rio. Rocio Cubillos, de 59 anos; sua filha Wendy Manrique, de 37; e a neta Sofia Murillo, de 17, morreram junto com o piloto brasileiro Alessandro Rocha. Não houve sobreviventes.
O helicóptero, um Robinson R44, realizava um passeio panorâmico quando caiu em uma área de mata fechada da Floresta da Tijuca, próxima à Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. Após o impacto, a aeronave pegou fogo e provocou um incêndio na vegetação. O relevo íngreme e de difícil acesso tornou complexa a chegada das equipes de resgate.
Cerca de 40 militares do Corpo de Bombeiros, com 11 viaturas e quatro unidades operacionais, participaram da ocorrência. Técnicas de salvamento com cordas tiveram de ser utilizadas para alcançar o local onde estavam os destroços. As causas da queda ainda estão sendo investigadas.
Segundo acidente fatal em menos de dois meses
A tragédia ganha uma dimensão ainda maior por ocorrer pouco depois de outro grave acidente aéreo na capital fluminense.
No dia 14 de junho, dois helicópteros colidiram no ar na região do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste. As seis pessoas que estavam nas duas aeronaves morreram. Relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou posteriormente que os helicópteros seguiam rotas coincidentes antes da colisão.
Somados, os dois acidentes provocaram dez mortes em menos de dois meses.
A repetição de episódios com tantas vítimas passou a provocar questionamentos sobre fiscalização, manutenção das aeronaves, procedimentos operacionais e, principalmente, sobre os voos panorâmicos que diariamente transportam moradores e turistas sobre alguns dos principais cartões-postais da cidade.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, afirmou após o acidente deste sábado que a sucessão de ocorrências “não pode ser considerada normal” e pediu providências à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O prefeito chegou a defender que os voos panorâmicos sejam temporariamente suspensos por uma ou duas semanas, ou pelo período necessário, para que seja realizada uma fiscalização mais rigorosa em helipontos, aeronaves e serviços de manutenção.
O novo acidente, portanto, ultrapassa os limites de uma ocorrência isolada. Em uma cidade onde os passeios de helicóptero fazem parte da atividade turística, a sequência de mortes aumenta a pressão para que autoridades e operadores demonstrem quais medidas estão sendo adotadas para garantir a segurança dos passageiros.
Viagem em família termina em tragédia
Por trás dos números, porém, está o drama de uma família que chegou ao Rio para celebrar um momento especial.
As três colombianas viajavam acompanhadas por outros parentes. A família estava na cidade para comemorar os 15 anos de Laura, filha de Victor Manrique. Parte do grupo faria o passeio de helicóptero em um segundo voo. Victor e a filha estavam entre aqueles que permaneceram no hangar aguardando a vez de embarcar.
Rocio, Wendy e Sofia embarcaram primeiro.
O passeio previsto para durar aproximadamente 20 minutos e passar pela região da Floresta da Tijuca nunca foi concluído. O helicóptero caiu durante o trajeto.
A notícia transformou uma viagem de comemoração em uma despedida marcada pela perda simultânea de uma mãe, uma irmã e uma sobrinha.
“O último passeio de metade da minha família”
Horas depois da confirmação das mortes, Victor Manrique usou as redes sociais para compartilhar fotografias da viagem ao Brasil e prestar homenagem às três mulheres.
Em uma das publicações, escreveu:
“O último passeio de metade da minha família.”
As imagens mostram momentos vividos pelas turistas antes da tragédia e passaram a representar os últimos registros da família reunida no Rio.
Em outra mensagem, Victor se despediu das três: “Minha irmãzinha, minha mãe e minha sobrinha! Vou amá-las para sempre nesta vida e na outra.”
O colombiano também agradeceu às autoridades e às pessoas que ofereceram apoio à família no Brasil e na Colômbia após a tragédia.
As homenagens ganharam repercussão justamente pela dimensão do drama: Rocio, Wendy e Sofia representavam três gerações da mesma família — avó, mãe e filha. As fotografias que deveriam permanecer como lembrança de férias e de uma comemoração familiar passaram a registrar os últimos momentos das três juntas.
Investigação e cobrança por respostas
A investigação deverá agora determinar o que levou o helicóptero a cair na Floresta da Tijuca. A Polícia Civil e o Cenipa participam dos procedimentos para esclarecer as circunstâncias da ocorrência.
Ao mesmo tempo, a sequência de acidentes aumenta a cobrança sobre os órgãos responsáveis pela fiscalização da aviação.
Se as causas específicas de cada tragédia somente poderão ser estabelecidas pelas respectivas investigações, a repetição de acidentes fatais em um intervalo tão curto cria uma questão que ultrapassa os dois episódios: os mecanismos atuais de prevenção e fiscalização dos voos de helicóptero no Rio são suficientes?
Para uma cidade que recebe milhões de visitantes e oferece o sobrevoo de seus cartões-postais como uma experiência turística, encontrar essa resposta tornou-se ainda mais urgente.
Enquanto técnicos procuram explicar o que aconteceu no céu do Rio, na Colômbia uma família tenta lidar com uma perda irreparável. Uma viagem planejada para celebrar a vida terminou com três gerações unidas também na despedida — e com uma frase publicada nas redes sociais que sintetizou a dimensão da tragédia:

Sara Celestino
Repórter-fotográfica, atuando na produção de conteúdo com objetivo de compartilhar a melhor informação para manter você bem-informado! E-mail. gazetarj@gmail.com
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