Jordan e seu pai durante a viagem/Foto: Divulgação
Menino morre após infecção por "ameba comedora de cérebros" na Costa Rica
Especialistas apontam expansão da Naegleria fowleri para novas regiões e reforçam medidas simples para reduzir o risco de contaminação.
Atualizado há 1 horas
Uma infecção rara causada pela Naegleria fowleri, conhecida como "ameba comedora de cérebros", provocou a morte de Jordan Smelski, de 11 anos, após um passeio em uma fonte de águas quentes na Costa Rica. O menino começou a apresentar dores de cabeça poucos dias depois de nadar, evoluiu com vômitos, alucinações e convulsões e morreu uma semana após a exposição, vítima de meningoencefalite amebiana primária.
A ameba é encontrada principalmente em lagos, rios e fontes de água doce aquecida, além de piscinas abandonadas. A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz, permitindo que o organismo alcance o cérebro, onde destrói rapidamente o tecido cerebral. A doença não é transmitida pela ingestão de água nem de pessoa para pessoa.
O caso ocorre em meio à preocupação de especialistas com o aumento dos registros da doença. Em 2024, a Índia notificou mais de 200 casos, o maior surto já registrado. No Brasil, uma criança de nove anos morreu em Rondônia neste ano após contrair a infecção. Pesquisadores atribuem o crescimento dos casos tanto ao aquecimento das águas provocado pelas mudanças climáticas quanto à melhoria na capacidade de diagnóstico.
Entre 1962 e 2023, foram registrados 488 casos da doença em todo o mundo, com taxa de mortalidade de cerca de 97%. Apesar da letalidade, um estudo recente realizado durante o surto na Índia mostrou que mais da metade dos pacientes sobreviveu após diagnóstico precoce e protocolos de tratamento mais rápidos, indicando que a identificação antecipada pode aumentar as chances de recuperação.
Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, febre, náusea e vômitos. Nos casos mais graves, surgem rigidez na nuca, confusão mental, alucinações, convulsões e coma. Especialistas alertam que crianças são mais suscetíveis à infecção, principalmente por permanecerem mais tempo em águas quentes e pela maior facilidade de a ameba atravessar a região entre o nariz e o cérebro.
Para reduzir o risco, autoridades de saúde recomendam evitar a entrada de água pelo nariz durante mergulhos em lagos e fontes termais, utilizando clipe nasal ou mantendo a cabeça fora da água. Também é indicado usar apenas água destilada, esterilizada ou previamente fervida para higienização nasal, já que a água contaminada pode servir como via de infecção.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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