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Lula diz ter pedido a Trump entrega de brasileiros foragidos em Miami
Declaração foi feita durante lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado.
Atualizado há 2 horas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (12/05) que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a entrega de brasileiros foragidos da Justiça que vivem em Miami. A declaração ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto de lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê R$ 11 bilhões em investimentos na segurança pública.
Segundo Lula, o pedido foi feito durante reunião realizada entre os dois líderes no último dia 07/05. O presidente afirmou que o combate ao crime organizado depende de cooperação internacional e citou ações contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas.
“Eu disse ao presidente Trump: ‘Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nossos [brasileiros] que estão morando em Miami’”, declarou.
Lula também afirmou que parte das armas apreendidas no Brasil tem origem nos Estados Unidos e mencionou a necessidade de enfrentar a lavagem de dinheiro. Durante o discurso, citou ainda o estado norte-americano de Delaware ao abordar movimentações financeiras ligadas a brasileiros.
Sem citar nomes diretamente na cerimônia, o presidente voltou a mencionar, em declarações recentes, o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, investigado na Operação Carbono Oculto, que apura suposta atuação do PCC no mercado de combustíveis. Magro vive atualmente em Miami e é considerado foragido pela Justiça brasileira.
Ao tratar da atuação das facções, Lula afirmou que o crime organizado não está restrito às comunidades e disse que organizações criminosas estão infiltradas em setores empresariais, no Judiciário, no Congresso Nacional e até no futebol.
O presidente também criticou a soltura de criminosos pouco tempo após prisões realizadas pelas polícias estaduais. Segundo ele, governadores e forças de segurança reclamam da recorrência dessas decisões judiciais e defendeu diálogo com o Poder Judiciário sobre o tema.
Durante o evento, Lula voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública e afirmou que o governo pretende recriar o Ministério da Segurança Pública após a proposta avançar no Senado. O texto, aprovado pela Câmara em março, aguarda despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para iniciar tramitação na Casa.
A proposta enfrenta resistência de parlamentares e governadores da oposição, que apontam possível ampliação da atuação federal na segurança pública. Entre os pontos previstos estão a integração entre União e estados e a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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