Foto: Reprodução TV Globo
Câmeras corporais contradizem versão da PM sobre morte de empresário no Rio
Gravações mostram ausência de blitz e levantam suspeitas sobre versão de confronto apresentada pelos policiais.
Atualizado há 2 horas
Imagens de câmeras corporais colocam em xeque a versão apresentada por policiais militares na ação que terminou com a morte do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, no dia 22/04 na Pavuna, Zona Norte do Rio. Os vídeos indicam que não houve blitz, bloqueio ou ordem de parada antes dos disparos.
Nas gravações, obtidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, um dos agentes se aproxima da caminhonete onde estava a vítima e dispara dezenas de tiros de fuzil. O empresário estava acompanhado de outras pessoas, que não ficaram feridas e reagiram em desespero após o ataque.
Moradores que se aproximaram do local ouviram de um dos policiais a justificativa de que a equipe teria ido verificar um barulho e que o veículo teria avançado contra a guarnição. Em outro trecho, um agente sugere a construção de uma versão para a ocorrência, mencionando “averiguação”, “troca de tiros” e “legítima defesa”.
As imagens também apontam que os policiais já monitoravam o empresário cerca de uma hora antes da ação, com troca de mensagens e informações sobre a localização da vítima. O crime ocorreu por volta das 3h06, quando Daniel retornava de um pagode com três amigos, a menos de um quilômetro de casa.
A versão inicial da Polícia Militar afirmava que o carro foi alvejado após o motorista desobedecer a uma ordem de parada. Familiares e testemunhas contestaram o relato, alegando que não houve tempo de reação. Segundo a irmã da vítima, foram efetuados mais de 20 disparos e não havia arma no veículo.
O empresário, que tinha uma loja de eletrônicos na região, morreu com um tiro na cabeça e deixa uma filha de quatro anos.
Os policiais envolvidos foram presos em flagrante no mesmo dia, sob suspeita de homicídio doloso. A Polícia Militar informou que instaurou procedimento para apurar o caso. A investigação é conduzida pela Delegacia de Homicídios da Capital, que afirmou que a ocorrência está em andamento.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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