Peixes conhecidos como ciobas/Foto: Brunno Rocha
Mulher de 72 anos é intubada após suspeita de intoxicação por peixe no RN
Três mulheres passaram mal após consumir uma moqueca de cioba em Natal. Estado registra alta de 60,2% nas notificações de ciguatera em 2026.
Atualizado há 2 horas
Uma mulher de 72 anos permanece internada e intubada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após consumir uma moqueca de peixe durante um almoço realizado em 27/06, em Natal (RN). A principal suspeita é de intoxicação por ciguatera, doença provocada pela ingestão de peixes contaminados por uma neurotoxina produzida por microalgas marinhas. Outras duas mulheres que participaram da refeição também precisaram de atendimento intensivo, mas já receberam alta.
Segundo informações divulgadas pela TV Ponta Negra, afiliada do SBT, Fátima Santos, a professora aposentada Mirian Carvalho e a advogada Cíntia Carvalho comeram uma moqueca preparada com cioba na casa de amigas. Cerca de 40 minutos após a refeição, as três começaram a apresentar sintomas graves.
Fátima segue internada em um hospital particular de Natal. Já Mirian e Cíntia se recuperam em casa após passarem pela UTI.
Cíntia relatou que viveu momentos de desespero ao lado da mãe durante a intoxicação.
"Foi a experiência mais assustadora que eu já vivi na minha vida. Não só por mim, mas por ver a minha mãe também ao meu lado sofrendo muito", afirmou à TV Ponta Negra.
Ela contou que sofreu queda acentuada da pressão arterial, redução dos batimentos cardíacos, além de vômitos, diarreia, dores pelo corpo, coceira intensa, fadiga e sensação de queimação nas mãos, nos pés e na boca.
Segundo Mirian, a cioba havia sido comprada congelada em uma peixaria do bairro onde mora e não apresentava qualquer alteração de cheiro, aparência ou sabor antes do preparo.
"O peixe estava uma delícia, tudo estava perfeito, o aroma perfeito e, 40 minutos depois, nós já estávamos com sintomas de vômitos e diarreia", disse Cíntia.
Familiares relataram ainda que Fátima apresentou alterações neurológicas, como episódios de esquecimento e mudanças de comportamento. O hospital, no entanto, não confirmou oficialmente essas informações.
O que é a ciguatera
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ciguatoxina, substância produzida por microalgas marinhas que se acumula na cadeia alimentar e pode contaminar peixes de grande porte.
Uma das principais características da toxina é que ela não altera o cheiro, o sabor nem a aparência do pescado. Além disso, permanece ativa mesmo após o cozimento, congelamento ou salga, tornando impossível identificar a contaminação apenas pela aparência do alimento.
Casos aumentam no Rio Grande do Norte
O episódio ocorre em meio ao aumento expressivo de notificações da doença no Rio Grande do Norte.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) mostram que, até 11 de junho deste ano, foram registradas 141 ocorrências de ciguatera, contra 88 notificações em todo o ano de 2025 — crescimento de 60,2%.
Desde 2022, o estado contabilizou 259 notificações, distribuídas em 46 surtos, com 113 casos confirmados e duas mortes.
Segundo a coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, Diana Rêgo, parte desse crescimento está relacionada à implantação da notificação compulsória da doença em 2026, o que ampliou a identificação dos casos pelos profissionais de saúde.
"Esse também é um fator que faz com que a gente tenha esse aumento de casos, porque a gente sensibiliza os profissionais de saúde", explicou ao programa Bom Dia RN, da Inter TV Cabugi.
Desde 2022, a Sesap monitora a circulação da doença e, em 2025, intensificou as ações de vigilância com pesquisadores, representantes da pesca, da agricultura e colônias de pescadores para estudar a presença da toxina no litoral potiguar.
Natal concentra 52,21% das notificações registradas no estado, seguida pelos municípios de Touros, Ceará-Mirim, Nísia Floresta, Parnamirim e Extremoz.
Espécies com maior risco
A Vigilância Sanitária orienta evitar o consumo das espécies mais frequentemente associadas aos casos de ciguatera no estado:
Bicuda (barracuda);
Arabaiana;
Dourado;
Cioba;
Pescada-branca;
Galo do Alto;
Pargo;
Sirigado.
A bicuda é responsável por cerca de 45% dos casos confirmados de intoxicação no Rio Grande do Norte.
Já as espécies consideradas de menor risco incluem:
Tilápia;
Curimatã;
Atum;
Cavalinha;
Arenque;
Manjuba.
A recomendação também é retirar cabeça, vísceras e ovas dos peixes, regiões onde pode haver maior concentração da toxina.
Sintomas e orientação
Os sintomas da ciguatera podem surgir poucos minutos após a refeição ou levar até 48 horas para aparecer.
Entre os sinais mais comuns estão:
náuseas e vômitos;
diarreia;
dor abdominal;
coceira intensa;
dormência na boca, mãos e pés;
dores no corpo;
fraqueza;
tontura;
dor de cabeça;
inversão térmica, quando o quente é percebido como frio e o frio como quente.
Nos casos mais graves, a intoxicação pode provocar queda da pressão arterial, redução dos batimentos cardíacos e alterações neurológicas.
A Sesap orienta que qualquer pessoa que apresente sintomas após consumir pescado procure atendimento médico imediatamente, informe qual espécie foi ingerida e, se possível, preserve sobras do peixe congeladas para análise da Vigilância Sanitária. Também é recomendado comunicar o caso ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS).

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
Veja também
Mais
lidas- 1
Luciano Rangel Júnior toma posse como vereador em Maricá

- 2
Maricá F.C. inicia semifinal contra o Resende fora de casa

- 3
Impasse no INEA reacende discussão sobre Porto de Jaconé

- 4
Maricá abre vagas para oficinas culturais gratuitas

- 5
Maricá: Oficinas gratuitas de música, audiovisual, capoeira e grafite

Comentários (0)