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Brasil e Índia consolidam acordo estratégico para exportação de feijões

Protocolo preferencial deve garantir previsibilidade para o embarque de mungo e guandu em 2026

Atualizado há 36 dias

A agenda do presidente Lula na Índia nesta quarta-feira (18) deve ser marcada por um avanço histórico para o agronegócio brasileiro: a assinatura de um acordo preferencial para a exportação de feijões. O protocolo é visto pelo setor como a peça que faltava para dar segurança jurídica e política aos produtores nacionais, especialmente para as variedades mungo e guandu, que possuem altíssima demanda no mercado asiático.

O Gigante Indiano em Números

A Índia é, isoladamente, o maior consumidor global de pulses (leguminosas secas). Para se ter uma ideia do potencial:

  • Importações totais: Quase 6 milhões de toneladas (movimentando US$ 4,3 bilhões).

  • Foco no Guandu: Só desta variedade, a Índia importa 1,3 milhão de toneladas anuais. O Brasil, que não exportou essa espécie em 2024, agora se prepara para entrar no jogo.

  • Presença atual: Em 2024, o Brasil forneceu 162,4 mil toneladas de feijões aos indianos, com destaque para o mungo-preto.


Projeções para 2026: Ajuste de Rota

Embora o volume total de exportação de feijões brasileiros para 2026 seja estimado em 420 mil toneladas (20% menor que o projetado para 2025), o Instituto Brasileiro dos Feijões e Pulses (Ibrafe) esclarece que isso não é perda de competitividade, mas um ajuste estratégico no mix de produtos.

Estimativa de exportação por variedade (2026):

  • Feijão-mungo-preto: 250 mil toneladas (O grande protagonista).

  • Feijão-mungo-verde: 70 mil toneladas.

  • Feijão-caupi: 40 mil toneladas.

  • Outros (vermelho, rajado, preto): 60 mil toneladas.

“Se conseguirmos abrir este mercado, teremos mais previsibilidade para os produtores brasileiros”, afirma Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe.


Tecnologia e Soberania Alimentar

O avanço é fruto da pesquisa nacional. O feijão-mungo-preto, por exemplo, foi lançado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em 2024 e já colocou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais.

Um ponto fundamental: o mercado externo não ameaça o prato do brasileiro. O feijão-carioca, que representa 65% da produção nacional, continua focado 100% no mercado interno, garantindo o abastecimento doméstico enquanto as novas variedades conquistam o mundo.

Foto do Jornalista

Marcus Pires

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