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Operação Lamaçal: PF investiga desvios de R$ 120 milhões em Lajeado (RS)
Segunda fase da operação mira grupo econômico que teria fraudado licitações de assistência social durante as enchentes de 2024
Atualizado há 28 dias
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26 de fevereiro), a segunda fase da Operação Lamaçal. O objetivo é desarticular um esquema de desvio de verbas federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) que deveriam ter sido aplicadas no município de Lajeado (RS) após as devastadoras enchentes de maio de 2024.
Os investigadores estimam que os contratos sob suspeita movimentaram aproximadamente R$ 120 milhões. A fraude teria ocorrido através de três licitações com dispensa de certame, justificadas pelo estado de calamidade pública da época.
O Mecanismo da Fraude
A análise dos materiais apreendidos na primeira fase (em novembro de 2025) revelou indícios robustos de que o processo foi manipulado:
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Direcionamento: As empresas contratadas pertenciam a um mesmo grupo econômico, simulando uma competição que, na prática, não existia.
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Superfaturamento: Os valores pagos pelos serviços de profissionais terceirizados (psicólogos, assistentes sociais e motoristas) estavam significativamente acima da média de mercado.
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Proposta Vantajosa Ignorada: A investigação confirmou que a proposta vencedora não era a mais barata, ferindo o princípio da economicidade no serviço público.
Mandados e Prisões
Por ordem do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a PF cumpre hoje uma série de medidas restritivas em diversas cidades gaúchas, incluindo Porto Alegre, Novo Hamburgo e Lajeado:
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Prisões: 02 mandados de prisão temporária cumpridos.
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Busca e Apreensão: 20 mandados executados para recolher documentos, eletrônicos e veículos.
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Afastamentos: 02 servidores foram afastados cautelarmente de seus cargos públicos.
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Bloqueio de Bens: Ativos financeiros dos suspeitos foram congelados pela Justiça.
Contexto Político
O caso já havia provocado turbulências no final do ano passado, quando Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado e então secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, pediu afastamento do cargo para se defender das acusações. Ele alega inocência e afirma que as contratações seguiram os ritos de urgência exigidos pela catástrofe climática.
Se condenados, os envolvidos podem responder por crimes graves, como corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e associação criminosa.

Marcus Pires
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