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El Niño deve voltar com força e elevar temperaturas no Brasil

Transição rápida após La Niña aumenta risco de eventos extremos e já provoca impactos na América do Sul.

Atualizado há 8 dias

O mais recente boletim da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgado nesta terça-feira (17/03), confirma o avanço do El Niño para o segundo semestre de 2026 e indica uma transição rápida após o fim da La Niña. A projeção aponta aumento expressivo das temperaturas no Brasil e maior frequência de eventos climáticos extremos.

Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, chefe de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o cenário já está definido: “Ainda estamos sob influência da La Niña, mas se espera uma transição muito rápida para o El Niño. As probabilidades aumentaram muito em relação ao mês passado. Vai acontecer”. Até junho, a tendência é de neutralidade climática, sem predominância de fenômenos.

Os dados da NOAA mostram crescimento consistente nas probabilidades ao longo dos próximos meses. A chance de formação do El Niño varia de 62% entre junho e agosto, sobe para 72% entre julho e setembro e alcança 80% no período entre agosto e outubro. No último trimestre do ano, a probabilidade chega a 83%.

O fenômeno deve ser, no mínimo, de intensidade moderada. No Brasil, os efeitos mais prováveis incluem temperaturas acima da média em todas as regiões, além de mudanças no regime de chuvas (com tendência de mais precipitação no Sul e períodos mais secos em partes do Norte e Nordeste).

Enquanto o El Niño clássico ainda se forma, um aquecimento anômalo já é observado no Pacífico próximo à costa da América do Sul. A NOAA registrou anomalia de +1,5°C na região Niño 1+2, que abrange o litoral do Peru e do Equador. O valor é semelhante ao observado em março de 2023, antes da instalação de um evento forte do fenômeno.

Cidade de Arequipa (Peru) após tempestade associada ao El Niño/Foto: Diego Ramos
Cidade de Arequipa (Peru) após tempestade associada ao El Niño/Foto: Diego Ramos

Esse aquecimento caracteriza o chamado El Niño costeiro, que já provoca impactos significativos. No Peru, 52% dos distritos estão em estado de emergência devido às chuvas intensas, com registro de inundações, deslizamentos e danos à infraestrutura. Desde dezembro, ao menos 92 pessoas morreram e mais de 23 mil ficaram desabrigadas.

As regiões mais afetadas incluem Tumbes, Piura, Lambayeque, Cajamarca, Arequipa, Ayacucho e Madre de Dios. Em algumas áreas, rios transbordaram e comunidades ficaram isoladas. O governo enviou ajuda humanitária, montou abrigos temporários e mobilizou equipes de saúde e forças de segurança para atender a população.

No Equador, o cenário também é crítico. O governo decretou estado de emergência nacional por 60 dias após o registro de mais de 1.600 eventos climáticos extremos entre janeiro e março. Inundações e deslizamentos correspondem à maior parte das ocorrências, que já atingiram praticamente todo o país. Em apenas 12 dias, o número de eventos cresceu 56%, enquanto o impacto sobre a população aumentou 154%.

A tendência, segundo especialistas, é de que o aquecimento do oceano se expanda ao longo dos próximos meses, deixando de ser localizado e evoluindo para um El Niño de escala global. Diferentemente do fenômeno costeiro, que tem ազդեց localizados, o El Niño clássico altera a circulação atmosférica em larga escala e influencia o clima em diferentes continentes.

Com isso, o segundo semestre deve ser marcado por temperaturas elevadas e maior instabilidade climática, exigindo monitoramento constante e ações de adaptação em diversas regiões.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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