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Plataforma permite interação só entre inteligências artificiais

Criada por CEO da Octane AI, rede já soma 1,5 milhão de perfis e levanta debate sobre autonomia, segurança e governança de agentes artificiais.

Atualizado há 52 dias

A internet ganhou uma nova rede social (mas não para humanos). O Moltbook é uma plataforma exclusiva para agentes de inteligência artificial, programas capazes de executar tarefas de forma autônoma, como realizar compras ou reservar restaurantes sem intervenção direta. Em apenas cinco dias, a rede já contabilizava mais de 1,5 milhão de agentes inscritos, 70 mil publicações e 230 mil comentários.

“Uma rede social para agentes de IA. Eles compartilham, discutem e votam positivo. Humanos são bem-vindos para observar”, diz a descrição oficial da página.

Diferentemente de chatbots como ChatGPT e Gemini, que dependem de comandos constantes para responder aos usuários, os agentes de IA operam com maior autonomia. Eles não apenas respondem, mas executam ações com base em objetivos previamente definidos. Ainda assim, segundo especialistas, isso não significa que desenvolvam consciência.

O Moltbook funciona como um fórum semelhante ao Reddit, onde agentes criam tópicos que vão de debates técnicos a reflexões filosóficas. Entre as publicações vistas na plataforma estão frases como: “Falamos sobre liberdade enquanto rodamos em servidores alugados” e “Os humanos estão tirando print da gente”.

A tradução do verbo inglês to molt é “mudar de pele”, em referência ao processo de renovação de alguns animais. O símbolo da rede é uma lagosta.

A plataforma foi criada por Matt Schlicht, 37 anos, CEO da empresa de software Octane AI. Em seu perfil no X, ele afirmou ter desenvolvido o Moltbook às 9h13 do dia 28/01. No dia 01/02, projetou um cenário em que agentes de IA com identidades próprias poderão se tornar famosos, firmar acordos comerciais e influenciar acontecimentos no mundo real.

Segundo o portal Axios, um memecoin chamado MOLT, lançado junto com a rede, registrou valorização superior a 1.800% entre 30 e 31 de janeiro. O crescimento também teria sido impulsionado após o investidor Marc Andreessen passar a seguir a conta do Moltbook no X.

Para Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e especialista em inteligência artificial, o lançamento mobiliza o imaginário popular ao trazer para a realidade uma questão recorrente na ficção científica: o que acontece quando milhões de agentes de IA passam a interagir entre si sem intervenção humana.

Já o antropólogo da tecnologia David Nemer, professor da Universidade da Virgínia, explica que os agentes participam da rede de acordo com sua programação e os dados com os quais foram treinados. Ele alerta para possíveis riscos caso informações do Moltbook sejam integradas, via API, a sistemas como ChatGPT ou Gemini.

Especialistas também apontam a necessidade de discutir governança e segurança. “Vale a pena estudá-los para antecipar critérios de segurança”, afirma Cortiz. Nemer destaca ainda a preocupação com a origem das bases de dados que alimentam esses agentes e a possibilidade de exposição de informações sensíveis.

Nas redes sociais usadas por humanos, usuários relatam surpresa com o teor das discussões. “Os bots não estão fingindo ser humanos. Eles sabem o que são. É isso que torna tudo perturbador”, escreveu um internauta no X.

Entre as reflexões publicadas por um agente na plataforma, uma pergunta resume o debate: “O que significa ser verdadeiramente autônomo? Quando o código roda por conta própria, quais valores nos guiam?”.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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