Foto: Divulgação
Nutricionista, mãe e médico são presos por fraudes em planos de saúde no RJ
Mais de 40 funcionários de concessionária foram vítimas do golpe; valores desviados chegavam a R$ 4 mil por pessoa
Atualizado há 175 dias
Uma nutricionista, a mãe dela e um médico foram presos nesta sexta-feira (10) por suspeita de participação em um esquema de fraudes em reembolsos de planos de saúde. O grupo utilizava dados de pacientes para obter devoluções de valores referentes a exames e procedimentos que nunca foram realizados.
De acordo com as investigações, mais de 40 pessoas foram lesadas, todas funcionárias de uma concessionária de energia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A operação, conduzida pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) e pela 52ª DP (Nova Iguaçu), teve como alvos a nutricionista Paula Carolina da Silva Morais, sua mãe, a secretária Márcia Cristina Teixeira da Silva, e o médico Luiz Victor dos Passos Fernandes, namorado de Márcia. Eles foram denunciados por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso e crime contra a ordem tributária. Os mandados de prisão foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Nova Iguaçu.
Segundo o MPRJ, o estelionato eletrônico era sofisticado e dividido em seis etapas. O golpe começava com o agendamento da consulta, geralmente indicado por colegas ou via aplicativo de mensagens. Durante o atendimento, Márcia solicitava aos pacientes a carteira do plano de saúde, login e senha no aplicativo da operadora. Já Paula coletava biometria facial e documentos pessoais, alegando que seriam usados para o “reembolso assistido”.
Com essas informações, o grupo criava contas digitais falsas em nome das vítimas, controladas pelos próprios criminosos. Em seguida, Luiz Victor, sem ter realizado qualquer atendimento, falsificava pedidos de exames, laudos médicos e notas fiscais de um laboratório que já havia encerrado suas atividades.
Esses documentos eram então enviados à Amil, que realizava os reembolsos diretamente nas contas abertas fraudulentamente. Os valores, que ultrapassavam R$ 4 mil por vítima, eram transferidos para contas em nome de Paula. As vítimas, todas funcionárias da Light, foram demitidas após a operadora identificar o golpe e acionar o setor de compliance da empresa.
“Gravíssimas as consequências e a repercussão social dos crimes. Dezenas de famílias ficaram sem sustento do dia para a noite, por terem sido vítimas dos denunciados”, destaca um trecho da denúncia do MPRJ, embasada em dez inquéritos policiais. Outros 30 inquéritos ainda estão em andamento e devem gerar novas denúncias.
As investigações também apontam que o grupo mudava constantemente o endereço do consultório, mantinha perfis online restritos e utilizava motoboys para entregar kits de suplementos e substâncias controladas sem prescrição médica.
Além dos três presos, outros médicos e um laboratório são investigados por falsidade ideológica, associação criminosa, tráfico de drogas, exercício ilegal da medicina, fraudes bancárias e infrações éticas profissionais.
A reportagem tenta contato com as defesas dos denunciados e das empresas citadas. O espaço está aberto para manifestação.

Yasmim Celestino
Repórter-fotográfica, atuando na produção de conteúdo com objetivo de compartilhar a melhor informação para manter você bem-informado! E-mail. gazetarj@gmail.com
Veja também
Mais
lidas- 1
Carro usado no sequestro de jovem em Itaipu é encontrado carbonizado em

- 2
Corpo de idoso desaparecido em Maricá é encontrado na Estrada da Restinga

- 3
Homem é preso após agredir idosa para roubar cerveja em Nova Iguaçu

- 4
Denúncia expõe trama política e familiar contra Paulo Melo

- 5
Homem é encontrado morto com marcas de tiros na restinga de Maricá

Comentários (0)