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Regras sanitárias travam fluxo de soja entre Brasil e China
Após devolução de cerca de 20 navios, Brasil negocia regras fitossanitárias enquanto cargas seguem sujeitas a análise de risco.
Atualizado há 3 horas
A devolução de cerca de 20 navios de soja brasileira pela China abriu um impasse técnico com efeitos políticos e comerciais. As cargas foram barradas por presença de ervas daninhas e impurezas consideradas proibidas pelas regras sanitárias do país asiático, o que levou o Ministério da Agricultura a iniciar negociações para redefinir os critérios de inspeção fitossanitária no dia 23/03.
O governo brasileiro informou que a China deixou de adotar o critério de tolerância zero para essas impurezas. Na prática, a exigência de cargas totalmente livres de materiais indesejados foi flexibilizada. No entanto, ainda não há um limite numérico definido, o que mantém o processo de liberação condicionado à análise de risco, com decisões caso a caso.
A ausência de um parâmetro objetivo amplia a incerteza para exportadores. Sem clareza sobre o nível aceitável de impureza, cada embarque passa a depender de avaliação individual, aumentando o risco de retenções, atrasos e até novas devoluções.
O impacto vai além da fiscalização. A emissão do certificado fitossanitário (documento essencial para o desembarque e pagamento da carga) também entrou no centro do problema. Com o aumento do rigor, o processo se tornou um gargalo logístico. Sem o certificado, empresas ficam impedidas de concluir entregas, o que pressiona contratos, fretes, seguros e fluxo de caixa.
A escala do impasse é relevante: as devoluções representam entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas. O episódio ocorre em um cenário em que o Brasil projeta exportar cerca de 112 milhões de toneladas de soja no ano, sendo a China responsável por aproximadamente 80% desse volume.
Segundo informações confirmadas à Reuters, as negociações entre Brasil e China ainda estão em fase inicial e devem avançar ao longo da semana, com participação de secretários do ministério. O ministro Carlos Fávaro já indicou que o país pretende propor um protocolo sanitário específico, que estabeleça critérios mais previsíveis.
Enquanto não há definição, o comércio segue exposto a incertezas operacionais. O desfecho das negociações depende da fixação de um limite claro, de procedimentos padronizados e de maior previsibilidade na emissão de certificados, pontos considerados essenciais para evitar novos entraves no principal fluxo de exportação do agronegócio brasileiro.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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