Foto: Sergey Provarov
Rússia propõe reservas conjuntas de alimentos entre Brics para enfrentar crise global
Plano inclui grãos e fertilizantes e busca reduzir impactos da guerra no Oriente Médio sobre a segurança alimentar.
Atualizado há 3 horas
A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, propôs a criação de reservas conjuntas de alimentos com países do Brics e da União Econômica Eurasiática como estratégia para conter riscos à segurança alimentar global. A iniciativa surge em meio aos impactos do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, que compromete rotas estratégicas de comércio internacional.
O Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um terço do comércio global de fertilizantes, tem sua circulação afetada, dificultando o acesso a insumos essenciais como nitrogenados, fosfatados e potássicos, utilizados em aproximadamente metade da produção mundial de alimentos. A interrupção no fluxo já pressiona cadeias produtivas e eleva o risco de desabastecimento.
Segundo Alexander Maslennikov, vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, a ampliação da cooperação entre países aliados é considerada fundamental para garantir o abastecimento. O órgão, presidido por Vladimir Putin, reúne autoridades de alto escalão e orienta decisões estratégicas do Kremlin.
A proposta prevê estoques compartilhados de culturas estratégicas, como trigo, milho e arroz, além de fertilizantes, com o objetivo de criar cadeias próprias de suprimento e reduzir a dependência de mercados ocidentais. A União Econômica Eurasiática (formada por países como Cazaquistão, Belarus, Armênia e Quirguistão) já possui produção relevante de grãos, o que amplia o potencial da iniciativa em conjunto com o Brics.
O cenário também afeta diretamente países importadores. O Brasil, por exemplo, depende de mais de 80% de fertilizantes externos, enquanto a Rússia responde por cerca de um quarto da produção global de nitrato de amônia, insumo essencial para a agricultura. Diante das restrições, Moscou chegou a interromper exportações do produto para garantir o abastecimento interno.
Estimativas apontam que a produção agrícola russa pode cair até 50% em culturas mais dependentes de fertilizantes, o que tende a pressionar preços e intensificar efeitos inflacionários. Ao mesmo tempo, o país busca ampliar sua presença em mercados do Sul Global, como África, América Latina e Oriente Médio, redirecionando exportações diante do isolamento imposto por nações europeias.
Para economias dependentes de importação, a diversificação de fornecedores e a adesão a mecanismos cooperativos ganham relevância como alternativas para mitigar os efeitos da crise nas cadeias globais de alimentos.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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