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Imagem da notícia Equipes de resgate ucranianas atuando em prédios bombardeados pelos ataques russos/Foto: Agência Reuters

Rússia lança maior ofensiva aérea da guerra e aumenta pressão sobre a Ucrânia

Ataques ocorreram após breve cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e em meio à estagnação das negociações.

Atualizado há 2 horas

A Rússia realizou a maior ofensiva aérea desde o início da guerra na Ucrânia, lançando mais de 1,5 mil drones e dezenas de mísseis contra cidades ucranianas entre quarta (13/05) e quinta-feira (14/05). Os ataques deixaram ao menos 11 mortos, dezenas de feridos e provocaram danos em infraestrutura civil, energética e ferroviária em diversas regiões do país.

Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Moscou disparou mais de 800 drones apenas ao longo da quarta-feira, incluindo ataques diurnos, considerados incomuns desde o início da invasão russa em 2022. Já durante a madrugada de quinta-feira, a Rússia lançou mais 670 drones de ataque e 56 mísseis.

De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, 652 drones e 41 mísseis foram interceptados pelas defesas aéreas do país.

“Estas definitivamente não são as ações de quem acredita que a guerra está chegando ao fim”, afirmou Zelensky nas redes sociais, em resposta às recentes declarações do presidente russo, Vladimir Putin, e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível aproximação do fim do conflito.

Bombeiros tentam apagar incêndio provocado ataques russos na região de Dnipropetrovsk, na Ucrânia/Foto: Serviço de Emergência da Ucrânia
Bombeiros tentam apagar incêndio provocado ataques russos na região de Dnipropetrovsk, na Ucrânia/Foto: Serviço de Emergência da Ucrânia

Kiev foi principal alvo

A capital Kiev concentrou parte dos ataques noturnos. Autoridades locais informaram que ao menos cinco pessoas morreram na cidade e cerca de 40 ficaram feridas, incluindo duas crianças. Um prédio residencial de nove andares desabou parcialmente após ser atingido por drones.

Equipes de resgate trabalharam durante horas na retirada de escombros em busca de desaparecidos. O ministro do Interior da Ucrânia, Ihor Klymenko, afirmou que mais de dez pessoas continuavam desaparecidas até a manhã desta quinta-feira.

“Havia pessoas lá, crianças. Um prédio inteiro desabou”, relatou a aposentada Alla Komisarova, de 74 anos, à agência Reuters.

Os ataques também interromperam o abastecimento de água em partes de Kiev. Geradores foram acionados para restabelecer o fornecimento, segundo o prefeito da capital.

Infraestrutura civil e energética foi atingida

Além de Kiev, os bombardeios atingiram Kharkiv, Dnipro, Odessa, Poltava e Kherson. Segundo Zelensky, ao menos 180 instalações foram danificadas em todo o país, incluindo mais de 50 prédios residenciais.

Na cidade de Kharkiv, a segunda maior da Ucrânia, ao menos 28 pessoas ficaram feridas após ataques contra infraestrutura civil. Já em Odessa, autoridades relataram danos a portos no sul do país.

O Ministério da Energia da Ucrânia informou que o fornecimento elétrico foi interrompido em 11 regiões após ataques contra instalações energéticas. Ferrovias também foram atingidas.

Segundo Zelensky, até mesmo um veículo do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários foi alvo de drones durante uma missão em Kherson.

Ataques ocorreram após breve cessar-fogo

A nova escalada acontece poucos dias após um cessar-fogo temporário anunciado pelos Estados Unidos entre 09/05 e 11/05, período que coincidiu com as celebrações da vitória soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Apesar da trégua, Rússia e Ucrânia trocaram acusações de violações do acordo e retomaram ataques de longa distância logo após o encerramento do período.

O presidente americano Donald Trump voltou a afirmar nesta semana que acredita que o fim da guerra “está muito próximo”, sem detalhar avanços concretos nas negociações entre Kiev e Moscou.

Já o Kremlin endureceu novamente suas condições para encerrar o conflito. O porta-voz Dmitri Peskov declarou que só haverá “negociações genuínas” caso a Ucrânia retire suas tropas do Donbass e reconheça os territórios ocupados pela Rússia.

Moscou controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano, incluindo a Crimeia, anexada em 2014, além de áreas das regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson. Kiev rejeita qualquer cessão territorial e considera as exigências russas equivalentes a uma rendição.

A população ucraniana precisa conviver com os destroços causados pelos bombardeios/Foto: Oleksandr Gimanov
A população ucraniana precisa conviver com os destroços causados pelos bombardeios/Foto: Oleksandr Gimanov

Guerra entra em nova fase tecnológica

Nos últimos meses, a guerra passou por mudanças no campo militar. A Ucrânia ampliou sua capacidade de produção doméstica de drones e passou a realizar ataques de longo alcance contra instalações militares e energéticas dentro da Rússia.

O Ministério da Defesa russo afirmou ter interceptado 286 drones ucranianos sobre território russo, a Crimeia, o Mar Negro e o Mar de Azov.

Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), sediado nos Estados Unidos, o avanço terrestre russo desacelerou nos últimos meses. O centro de análise afirma que a ofensiva de primavera de Moscou não alcançou os objetivos esperados e que as forças ucranianas conseguiram estabilizar parte da linha de frente de cerca de 1.250 quilômetros.

Mesmo assim, a guerra segue sem perspectiva imediata de encerramento. Iniciado em fevereiro de 2022, o conflito já deixou centenas de milhares de mortos e é considerado o mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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