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Imagem da notícia Foto: Ana Lídia Araújo

Médica pernambucana faz história como primeira general do Exército Brasileiro

Oficial destaca mérito, representatividade e incentivo a novas gerações.

Atualizado há 2 horas

O Exército Brasileiro oficializou, nesta quarta-feira (01/04), a promoção da coronel médica Claudia Lima Gusmão Cacho ao posto de general de brigada, tornando-a a primeira mulher a alcançar o generalato na história da instituição, em 377 anos. A nomeação foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira (31/03) e publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

A cerimônia de promoção ocorreu no Clube do Exército, em Brasília, com a entrega da espada de general e do bastão de comando, símbolos da ascensão à alta cúpula militar. Claudia é a única mulher entre os 17 coronéis promovidos ao posto.

Natural do Recife, a nova general tem 57 anos e construiu sua trajetória na área de saúde da Força Terrestre. Com quase três décadas de serviço, ocupou cargos de direção em unidades estratégicas, como o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande. Após a promoção, assumirá a direção do Hospital Militar de Área de Brasília (HMAB).

Foto: Carlos Vieira
Foto: Carlos Vieira

“Não fui promovida por ser mulher”, destaca

Ao comentar a conquista, Claudia enfatizou que a ascensão ao generalato é resultado de mérito profissional, sem deixar de reconhecer o peso simbólico da representatividade feminina nas Forças Armadas: "Vou estar lá representando sim as nossas mulheres. E sempre lembrando: eu não fui promovida porque eu sou mulher. Eu fui promovida por conta de uma trajetória em que cumpri os requisitos e é um reconhecimento, mérito ao trabalho".

A oficial também descreveu o momento como resultado de uma longa trajetória dentro da instituição: “Me senti muito honrada, muito reconhecida. Porque não é um trabalho de um dia, dois. São 30 anos dentro da força. Representatividade também. São palavras que me vêm à cabeça”.

A general foi diretora do Hospital de Guarnição de Natal (RN)/Foto: Arquivo pessoal
A general foi diretora do Hospital de Guarnição de Natal (RN)/Foto: Arquivo pessoal

Marco histórico e incentivo a novas gerações

A promoção ocorre em um contexto de ampliação gradual da presença feminina nas Forças Armadas. Até então, mulheres haviam alcançado postos de oficial-general na Marinha e na Aeronáutica, além de funções técnicas no próprio Exército, mas não integravam o generalato da Força Terrestre.

Para Claudia, a conquista tem impacto coletivo: “Este momento não é apenas uma vitória pessoal, mas um reconhecimento da competência e da dedicação de todas as mulheres que escolheram a farda para servir à pátria. Espero que minha presença neste posto sirva de incentivo para que as jovens cadetes saibam que não existem mais tetos de vidro intransponíveis no Exército Brasileiro”.

O presidente Lula também associou a decisão ao estímulo para futuras gerações: “Ao assinar este decreto, estou dizendo a milhões de meninas brasileiras que elas podem ser o que quiserem”.

Formatura no curso de oficiais na Escola de Saúde (1998)/Foto: Arquivo pessoal
Formatura no curso de oficiais na Escola de Saúde (1998)/Foto: Arquivo pessoal

Trajetória na medicina e na carreira militar

Formada em medicina pela Universidade de Pernambuco (UPE), Claudia ingressou no Exército em 1996, aos 27 anos, inicialmente como oficial temporária, após tomar conhecimento da oportunidade por meio de um vizinho militar. Especialista em pediatria, consolidou sua carreira na área de saúde, com atuação em diferentes regiões do país, incluindo Rio de Janeiro, Rondônia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal.

Ao longo da trajetória, também exerceu funções administrativas e de comando, como chefe de divisões médicas e escalões de saúde. A escolha para o generalato seguiu critérios como tempo de serviço, desempenho profissional e formação em cursos de altos estudos militares, além de votação secreta do Alto Comando do Exército.

Expansão feminina nas Forças Armadas

A presença de mulheres no Exército começou a ganhar espaço a partir de 1992, com a primeira turma feminina na Escola de Administração. Em 1996, ano de ingresso de Claudia, foi criado o serviço militar feminino voluntário para profissionais de saúde.

Mais recentemente, a Força ampliou esse processo ao incorporar, pela primeira vez, mulheres como soldados no serviço militar inicial: 1.467 jovens em 13 estados e no Distrito Federal. Também houve avanços entre as praças, com a promoção inédita de mulheres ao posto de subtenente.

Ao falar com jovens interessadas na carreira militar, Claudia enfatiza valores e preparação como fatores decisivos: “A profissão militar é muito nobre e desafiadora. O Exército é composto por profissionais competentes, responsáveis, dedicados. E esses atributos não têm gênero”.

Ela também destacou a importância da formação integral: “Lealdade, camaradagem, espírito de corpo e saber trabalhar em equipe são fundamentais”, completou.

Treinamento na Escola de Saúde do Exército/Foto: Arquivo pessoal
Treinamento na Escola de Saúde do Exército/Foto: Arquivo pessoal

Promoções e contexto institucional

Além de Claudia, o decreto presidencial contemplou a promoção de outros oficiais-generais: 17 coronéis a general de brigada, 11 generais de brigada a general de divisão e dois generais de divisão a general de Exército.

A indicação da médica pernambucana é tratada como um dos principais marcos recentes das Forças Armadas, ao abrir caminho para maior presença feminina nos níveis mais altos de comando e planejamento estratégico do Exército Brasileiro.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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