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Especialistas alertam: qualquer bebida pode ser adulterada com metanol

A substância é usada para aumentar o volume e reduzir o custo do produto.

Atualizado há 175 dias

Os recentes casos de intoxicação por metanol registrados em São Paulo reacenderam o alerta para o risco de adulteração de bebidas alcoólicas no Brasil. As investigações apontam que os episódios ocorreram após o consumo de destilados como gim, vodca e uísque, mas especialistas afirmam que a substância também pode ser usada para fraudar cervejas e vinhos.

Até o momento, o país soma 259 notificações de intoxicação, das quais 24 foram confirmadas, 235 seguem em investigação e 145 foram descartadas. Os casos confirmados se concentram em São Paulo (20), Paraná (3) e Rio Grande do Sul (1) — o primeiro estado também lidera o número de registros em análise, com 181 notificações.

Segundo o farmacêutico Rodrigo Ramos Catharino, da Unicamp, os destilados são preferidos pelos adulteradores por serem mais caros, terem maior teor alcoólico e serem mais fáceis de manipular. “Para o adulterador não há limites, desde que haja lucro”, afirmou. A química Glauce Guimarães Pereira, do Conselho Regional de Química de São Paulo, explica que o metanol se mistura facilmente aos destilados por ter sabor e aroma semelhantes ao etanol, dificultando a detecção.

A Polícia Civil paulista iniciou nesta terça-feira (30) uma operação que interditou quatro estabelecimentos suspeitos de comercializar bebidas adulteradas, entre eles o bar “Ministrão”, nos Jardins, onde uma das vítimas relatou ter ingerido bebida antes de perder a visão. O bar nega as acusações e afirma que todos os produtos são comprados de fornecedores oficiais.

Entidades do setor também se manifestaram. A Wines of São Paulo divulgou nota destacando que a adulteração e o contrabando comprometem a confiança do consumidor e colocam vidas em risco. Já o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, reforçou que a prática é mais comum em bebidas de maior valor agregado, por oferecerem maior rentabilidade aos criminosos.

Enquanto o governo paulista reforça as fiscalizações, o comentário do governador Tarcísio de Freitas, que ironizou a situação dizendo que “no dia em que começarem a falsificar Coca-Cola, vou me preocupar”, provocou críticas e gerou repercussão negativa diante da gravidade do caso.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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