O aumento do preço dos combustíveis está diretamente ligado às ofensivas contra o Irã/Foto: Divulgação
Guerra no Oriente Médio pressiona energia e afeta economia global
Alta do petróleo e do gás provoca inflação, risco de recessão e mudanças no mercado internacional de energia.
Atualizado há 1 horas
A escalada do conflito no Oriente Médio já provoca efeitos econômicos em diferentes regiões do mundo, com aumento nos custos de energia, inflação e medidas emergenciais adotadas por governos. De contas domésticas mais altas no Reino Unido ao fechamento de escolas no Paquistão, os impactos se espalham de forma desigual entre países consumidores e produtores.
A crise tem como epicentro o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás. Ataques à infraestrutura energética e um bloqueio de fato na região atingem diretamente produtores do Golfo, como Catar e Arábia Saudita, enquanto o Irã mantém pressão sobre aliados dos Estados Unidos.
Com a instabilidade, países que oferecem fontes alternativas de energia tendem a ganhar espaço. Noruega e Canadá aparecem entre os possíveis beneficiados, embora enfrentem limitações para ampliar rapidamente a produção. A Rússia, por sua vez, pode ser a principal vencedora no curto prazo, com aumento nas exportações (especialmente para a Índia) e expectativa de receitas recordes desde 2022.
Nos Estados Unidos, o cenário é ambíguo. Apesar do potencial de ganhos para produtores de petróleo, o país enfrenta dificuldades para expandir a produção e segue altamente dependente do consumo de combustíveis fósseis. Além disso, empresas como a ExxonMobil já registram impactos diretos, com paralisações e danos em operações no Catar.
O avanço dos preços também preocupa economistas. Projeções indicam que o barril pode chegar a US$ 140, o que elevaria o risco de contração econômica. Na Europa, a dependência de gás importado pode pressionar ainda mais a inflação, com efeitos sobre setores como transporte e produção de alimentos.
Na Ásia, onde a dependência do petróleo do Oriente Médio é significativa, os impactos são mais imediatos. Países como Coreia do Sul enfrentam riscos para setores estratégicos, como a indústria de semicondutores, enquanto nações como Sri Lanka, Bangladesh e Filipinas adotam medidas como racionamento de combustível e redução da jornada de trabalho.
China e Índia, por outro lado, têm conseguido mitigar parte dos efeitos ao diversificar fornecedores e ampliar estoques, incluindo compras de petróleo iraniano e russo.
Apesar de avanços em eficiência energética, petróleo e gás ainda representam mais da metade do consumo em diversas economias, mantendo consumidores e indústrias vulneráveis às oscilações de preços. A resposta dos governos, limitada por restrições fiscais, também adiciona incerteza ao cenário.
A evolução do conflito será determinante para o alcance dos impactos. Caso a guerra se prolongue, cresce o risco de efeitos mais amplos, com repercussões não apenas para países diretamente envolvidos, mas para toda a economia global.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
Veja também
Mais
lidas- 1
Confronto entre humorista e grupo religioso gera investigação em BH

- 2
Evento gospel maricaense reúne cantores e premia talentos em Itaipuaçu

- 3
Senado aprova projeto que equipara misoginia ao racismo

- 4
Vagão feminino passa a operar 24h no metrô do Rio de Janeiro

- 5
DER moderniza fiscalização eletrônica em estradas estaduais do RJ

Comentários (0)