Porta-aviões USS Abraham Lincoln e grupo de ataque enviados ao Golfo Pérsico em janeiro/Foto: Fazry Ismail
EUA ampliam presença militar e avaliam nova ofensiva contra o Irã
Envio de reforços amplia contingente na região e Pentágono prepara cenários que incluem incursão terrestre, enquanto Estreito de Ormuz segue sob impacto da guerra.
Atualizado há 2 horas
O envio de cerca de 5 mil militares (entre fuzileiros navais e marinheiros) nos últimos dias elevou para mais de 50 mil o número de tropas dos Estados Unidos no Oriente Médio, em meio à escalada da guerra contra o Irã, que completou um mês no último sábado (28/03). O contingente representa aproximadamente 10 mil soldados a mais do que o nível habitual na região, segundo autoridades ouvidas pelo New York Times.
Parte dos reforços chegou a bordo de um navio de assalto anfíbio, projetado para transportar tropas, veículos e aeronaves e viabilizar operações a partir do mar. O deslocamento amplia a capacidade operacional americana em um momento em que o presidente Donald Trump avalia alternativas para intensificar o conflito.
De acordo com fontes militares, centenas de integrantes das Forças de Operações Especiais (incluindo Rangers do Exército e SEALs da Marinha) também foram mobilizados. As unidades ainda não receberam missões específicas, mas integram um conjunto de opções em análise pela Casa Branca.
Entre os cenários considerados está a ampliação das ações militares para atingir alvos estratégicos iranianos, como ilhas no Golfo Pérsico e estruturas ligadas ao escoamento de petróleo. A eventual tomada da ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações petrolíferas do Irã, é apontada como uma das possibilidades. A operação poderia pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás liquefeito consumidos globalmente.
O Pentágono também deslocou cerca de 2 mil militares da 82ª Divisão Aerotransportada para a região. Embora a localização não tenha sido divulgada, os paraquedistas estariam posicionados a uma distância que permite ações diretas contra o território iraniano. Segundo o Washington Post, há planejamento para uma campanha terrestre de duração limitada, que poderia envolver forças especiais e tropas convencionais.
Apesar dos preparativos, não há confirmação de que Trump autorizará uma operação desse tipo. A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o planejamento militar busca garantir flexibilidade ao presidente, sem indicar decisão final. Nos últimos dias, o governo alternou sinais de negociação com ameaças de intensificação do conflito.
Paralelamente, autoridades iranianas afirmaram estar prontas para reagir a uma eventual incursão terrestre e criticaram o que classificam como contradição entre discursos diplomáticos e movimentações militares dos Estados Unidos. “Jamais aceitaremos a humilhação”, declarou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, ao mencionar a possibilidade de confronto direto.
Outra hipótese em análise por Washington envolve a apreensão de material nuclear iraniano. Segundo o Wall Street Journal, a operação teria como objetivo retirar reservas de urânio enriquecido do país, o que exigiria presença militar em solo e implicaria riscos elevados para as tropas.
Enquanto isso, o Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado após ataques iranianos em retaliação às ações dos Estados Unidos e de Israel. A interrupção da rota marítima tem impacto direto sobre o mercado global de energia e mobiliza esforços diplomáticos de países da região. Ministros de Relações Exteriores de nações como Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito discutem alternativas para restabelecer o fluxo de petróleo, incluindo propostas de gestão internacional da passagem.
A escalada militar também se reflete em ataques diretos a bases americanas. Um bombardeio iraniano recente atingiu a Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, danificando aeronaves, incluindo um avião de vigilância E-3 Sentry, e deixando ao menos 12 militares feridos, dois em estado grave. O modelo integra o sistema de alerta aéreo antecipado dos EUA e é considerado estratégico para coordenação de operações.
Mesmo com o aumento do efetivo, especialistas avaliam que o contingente atual é insuficiente para uma operação terrestre de grande escala. Comparações com conflitos anteriores indicam a limitação: a invasão do Iraque, em 2003, mobilizou cerca de 250 mil soldados, enquanto Israel empregou mais de 300 mil em Gaza a partir de 2023.
Com cerca de 93 milhões de habitantes e um território extenso e complexo, o Irã é considerado um desafio militar de grandes proporções. Analistas apontam que qualquer tentativa de ocupação ou controle prolongado exigiria recursos significativamente superiores aos atualmente disponíveis.
No cenário atual, a estratégia dos Estados Unidos segue indefinida, dividida entre pressão militar, tentativas diplomáticas e a avaliação de riscos políticos internos, especialmente diante da proximidade das eleições legislativas.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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