Foto tirada em 2025 entre o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o presidente da China, Xi Jinping/Foto: Divulgação
Guerra no Oriente Médio: EUA apontam envio secreto de armas chinesas ao Irã
Relatório indica envio de sistemas antiaéreos por rotas indiretas.
Atualizado há 5 horas
A inteligência dos Estados Unidos identificou indícios de que a China estaria se preparando para enviar sistemas de defesa aérea ao Irã nas próximas semanas, segundo informações divulgadas com base em fontes ligadas ao governo americano. A movimentação ocorre em meio a tentativas diplomáticas de cessar-fogo no Oriente Médio e amplia a pressão sobre as relações entre Washington e Pequim.
De acordo com o relatório, os equipamentos incluiriam mísseis antiaéreos portáteis, conhecidos como MANPADS, capazes de atingir aeronaves em baixa altitude. A avaliação é de que esse tipo de armamento representa ameaça direta a operações militares dos EUA na região. As fontes também indicam que os envios poderiam ser feitos por meio de países terceiros, como forma de ocultar a origem chinesa.
A inteligência americana aponta ainda que o Irã pode estar utilizando a trégua negociada recentemente como oportunidade para recompor seus estoques militares com apoio externo. Além da China, a Rússia é citada como fornecedora de suporte, especialmente por meio do compartilhamento de informações que teriam auxiliado ataques a bases e instalações americanas no Oriente Médio.
Pequim nega as acusações. Em nota, um porta-voz da embaixada chinesa em Washington afirmou que o país “nunca forneceu armas a nenhuma das partes envolvidas no conflito” e classificou as informações como falsas. O governo chinês também cobrou que os Estados Unidos evitem “alegações infundadas” e atuem para reduzir as tensões.
Apesar da negativa, autoridades americanas avaliam que uma eventual transferência direta de armamentos representaria uma escalada no nível de apoio chinês ao Irã. Até então, empresas do país asiático vinham sendo associadas à venda de tecnologias de dupla utilização (que podem ter fins civis e militares) já sancionadas internacionalmente.
O tema ganhou peso adicional após o governo Donald Trump alertar que poderá impor tarifas de até 50% a países que forneçam armas a Teerã. A medida surge em um momento sensível das negociações comerciais entre Estados Unidos e China, com previsão de encontro entre Trump e o presidente Xi Jinping em maio.
Paralelamente, Pequim tem desempenhado papel diplomático relevante. Nos últimos dias, mediadores ligados à China ajudaram a viabilizar negociações entre Estados Unidos e Irã realizadas no Paquistão. O país também atuou para evitar que Teerã abandonasse as conversas, mesmo após ameaças durante as tratativas de um cessar-fogo temporário.
No campo geopolítico, China e Rússia também se alinharam ao vetar, no Conselho de Segurança da ONU, uma resolução apresentada pelo Bahrein (em nome de países do Golfo) que condenava o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A proposta recebeu apoio da maioria dos membros, mas foi barrada pelas duas potências.
O estreito é estratégico para o comércio global, concentrando cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás. O Irã fechou a passagem em resposta a ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, afirmando que a medida é uma ação defensiva e que embarcações de países não hostis podem continuar a circular.
Representantes iranianos criticaram a proposta vetada, classificando-a como tentativa de “punir a vítima”. Já diplomatas russos e chineses avaliaram que o texto ignorava as causas do conflito e indicaram que devem apresentar uma alternativa considerada mais equilibrada.
A disputa também se estende ao campo da comunicação. Nos últimos dias, China, Estados Unidos e Irã intensificaram o uso de conteúdos digitais e inteligência artificial para influenciar a opinião pública. Vídeos com estética de jogos eletrônicos, animações e referências à cultura pop têm sido utilizados para promover narrativas sobre o conflito.
Analistas avaliam que, enquanto busca manter uma posição oficial de neutralidade, a China tenta preservar seus interesses estratégicos na região, incluindo a dependência do petróleo iraniano. Ao mesmo tempo, evita um envolvimento direto que possa ampliar o confronto com Washington e seus aliados.
O cenário permanece instável, com negociações diplomáticas em curso e sinais de possível rearmamento no terreno, o que pode comprometer a sustentabilidade de qualquer cessar-fogo no curto prazo.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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