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Imagem da notícia Foto: Bill Ingnalls

Artemis II : missão espacial leva humanos de volta à órbita da Lua após 50 anos

Primeira missão tripulada do programa Artemis inicia jornada de 10 dias para contornar a Lua, realizar experimentos inéditos e preparar retorno humano à superfície lunar.

Atualizado há 15 dias

A missão Artemis II, da NASA, entrou em uma nova fase ao deixar a órbita da Terra na última quinta-feira (02/04) e iniciar a trajetória rumo à Lua. A bordo da espaçonave Orion, quatro astronautas seguem em um voo histórico que marca o primeiro envio de humanos ao entorno lunar em mais de 50 anos.

O lançamento ocorreu na quarta-feira (01/04), às 18h35 (horário do leste dos Estados Unidos), a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com o foguete Space Launch System (SLS). Esta é a primeira missão tripulada do programa Artemis, iniciativa que pretende estabelecer presença humana sustentável na Lua e avançar no desenvolvimento de tecnologias para exploração do espaço profundo.

Foto: Aubrey Gemignani
Foto: Aubrey Gemignani

A tripulação é composta pelos astronautas da NASA Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto) e Christina Koch (especialista de missão), além do canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. O grupo se tornou o primeiro, desde a missão Apollo 17, em 1972, a deixar a órbita terrestre com destino ao satélite natural.

Trajetória e objetivos da missão

Com duração aproximada de 10 dias, a Artemis II não prevê pouso na superfície lunar. A Orion realizará um sobrevoo ao redor da Lua, incluindo passagem pelo chamado lado oculto, região que nunca é visível da Terra, antes de iniciar o retorno.

A nave segue em uma trajetória de “retorno livre”, utilizando a gravidade lunar para contornar o satélite e voltar ao planeta sem necessidade de grande propulsão adicional. O ponto alto da missão está previsto para o sobrevoo do lado oculto, quando os astronautas estarão a mais de 400 mil quilômetros da Terra e poderão observar diretamente uma região ainda pouco explorada por missões tripuladas.

Durante esse trecho, a comunicação com a Terra será temporariamente interrompida por cerca de 30 a 50 minutos.

Além do simbolismo, a missão tem caráter técnico e científico. O principal objetivo é validar os sistemas da Orion em ambiente de espaço profundo, incluindo suporte à vida, navegação e controle manual.

Parte da Terra vista pela janela da capsula Orion/Foto: Reid Wiseman
Parte da Terra vista pela janela da capsula Orion/Foto: Reid Wiseman

Experimentos e pesquisas no espaço

Ao longo da viagem, os astronautas conduzem uma série de estudos voltados à saúde humana em missões prolongadas. Entre as atividades, estão a coleta de saliva, o monitoramento de sono e movimentos por sensores corporais e a análise de respostas fisiológicas ao ambiente espacial.

A NASA pretende avaliar como o sistema imunológico reage ao voo, além do desempenho individual e coletivo da tripulação em um espaço confinado. Os dados também incluem medições abrangentes de diferentes sistemas do corpo humano.

Sensores instalados na cápsula Orion monitoram níveis de radiação para avaliar a eficácia da blindagem da nave. Já dispositivos conhecidos como “órgãos em chip”, contendo células humanas, investigam os efeitos do espaço profundo em nível celular.

Segundo a agência, os resultados devem oferecer uma visão sem precedentes sobre como viagens longas influenciam o corpo, a mente e o comportamento humano, contribuindo para o desenvolvimento de protocolos de segurança em futuras missões.

Observações lunares e descobertas

Durante o sobrevoo, a tripulação realiza observações geológicas da superfície lunar, incluindo crateras de impacto e antigos fluxos de lava. As imagens e análises servirão de base para futuras missões que pretendem explorar diretamente o solo do satélite.

Os astronautas também poderão observar fenômenos como impactos de micrometeoritos (visíveis como pequenos flashes de luz) e possíveis partículas de poeira flutuando na borda lunar, ainda pouco compreendidas pela ciência.

Foto: Divulgação NASA
Foto: Divulgação NASA

“É uma oportunidade para os astronautas colocarem em prática as habilidades em ciência lunar desenvolvidas no treinamento”, afirmou Kelsey Young, líder de ciência lunar da missão.

A NASA também destacou que as observações humanas continuam sendo ferramentas científicas relevantes: “Os astronautas trabalharão em nome de toda a comunidade científica para coletar pistas sobre os processos geológicos que moldaram a Lua e o sistema solar”, disse Cindy Evans, especialista do programa.

Marco histórico e diversidade

A Artemis II é considerada histórica não apenas pelo retorno à órbita lunar, mas também pela composição da tripulação. Christina Koch será a primeira mulher a viajar até a Lua, enquanto Victor Glover se tornará o primeiro homem negro a alcançar essa região do espaço.

Jeremy Hansen, por sua vez, pode se tornar o primeiro não americano a realizar o feito, evidenciando a ampliação da cooperação internacional nas missões espaciais.

O comandante Reid Wiseman, veterano da Estação Espacial Internacional, lidera a equipe em uma missão que ele descreve como parte de um esforço coletivo: “É muito especial estar ao lado de uma equipe tão motivada”.

Preparação para o futuro

A Artemis II integra uma sequência de missões planejadas pela NASA. A Artemis III, prevista para 2027, deve testar sistemas de acoplamento e tecnologias necessárias para o pouso lunar. Já a Artemis IV, estimada para 2028, tem como objetivo levar astronautas à superfície, especialmente na região do Polo Sul da Lua.

O programa prevê, a longo prazo, a construção de uma base permanente no satélite, além do uso da Lua como plataforma para missões a Marte.

Especialistas apontam que o satélite possui recursos estratégicos, como gelo de água (que pode ser convertido em combustível) e elementos raros utilizados na indústria tecnológica. A exploração desses materiais pode reduzir custos e viabilizar operações mais distantes da Terra.

Trajeto da missão
Trajeto da missão

Significado global

Além dos avanços científicos, a missão também carrega impacto simbólico. Para analistas, o programa Artemis pode representar um momento de união em meio a divisões políticas, especialmente nos Estados Unidos.

“O espaço é uma das poucas áreas que diferentes grupos podem acompanhar juntos”, afirmou Esther Brimmer, especialista em política espacial.

Mais de meio século após o fim das missões Apollo, a Artemis II reposiciona a exploração lunar como prioridade global. Ao testar tecnologias, estudar o corpo humano e ampliar o conhecimento sobre o satélite, a missão estabelece as bases para uma nova era de presença humana além da Terra.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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