Montagem gerada por I.A.
Fertilizantes mais caros e grãos em queda pressionam mercado brasileiro
Restrições de grandes exportadores, guerra no Oriente Médio e gargalos logísticos ampliam incerteza no abastecimento e pressionam a renda do produtor no Brasil.
Atualizado há 2 horas
A suspensão das exportações de fertilizantes por China e Rússia ampliou a pressão sobre o agronegócio brasileiro, que já enfrenta alta de custos, entraves logísticos e atraso nas compras. O cenário, influenciado pela escalada da guerra no Oriente Médio, elevou o risco de desabastecimento e intensificou a incerteza no mercado.
O fechamento do estreito de Ormuz interrompeu embarques de fornecedores da região, como Irã e Omã, reduzindo a oferta global. A alternativa de ampliar compras da China perdeu força após a decisão do país de priorizar o mercado interno. A Rússia seguiu o mesmo caminho em meio ao próprio período de plantio, restringindo ainda mais a disponibilidade externa e pressionando os preços.
Dependente de importações, o Brasil compra fertilizantes e matérias-primas de países como Canadá, Rússia, China, Irã e Omã. Parte do produto é misturada internamente, mas a produção nacional ainda é considerada insuficiente para reduzir a vulnerabilidade.
Apesar da alta, produtores têm adiado as compras. A principal safra ocorre no segundo semestre, o que permite esperar, mas a relação de troca piorou. Hoje, são necessárias cerca de 26 sacas de soja para adquirir uma tonelada de fertilizante, ante 24 no ano passado. No milho, a diferença é mais acentuada: passou de 43 para 61 sacas por tonelada.
Ao mesmo tempo, os preços internos de soja e milho recuam. O movimento é atribuído a gargalos logísticos, com frete mais caro, diesel em alta e incertezas nos portos. O resultado é um deságio nos prêmios pagos ao produtor, reduzindo o valor recebido no mercado interno, mesmo com referências internacionais sustentadas.
Esse descompasso trava as negociações. Produtores aguardam valorização dos grãos, enquanto evitam fixar custos elevados com insumos. A postergação das compras, no entanto, pode concentrar a demanda nos próximos meses e gerar nova pressão logística.
A indústria já considera risco de desabastecimento, embora cite alternativas de fornecimento e avanço gradual da produção nacional. Ainda assim, o mercado segue sem definição clara sobre preços, oferta e capacidade de entrega.
Nos Estados Unidos, a preocupação também cresce. Em pleno período de plantio, mais de 60 entidades pedem isenção de tarifas para fertilizantes importados do Marrocos, como forma de mitigar problemas de oferta e custos.
A cadeia global ainda depende do gás natural, insumo essencial na produção de fertilizantes nitrogenados. Países como Omã e Irã têm papel relevante nesse processo. No Brasil, discute-se a ampliação do fornecimento de gás, inclusive com possibilidade de cooperação com a Bolívia, mas sem prazo definido.
Diante desse quadro, o agronegócio brasileiro enfrenta um ambiente de incerteza, marcado pela combinação de guerra, restrições comerciais e dificuldades logísticas, com impacto direto sobre custos e renda no campo.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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