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Imagem da notícia Mojtaba Khamenei/Foto: Rouhollah Vahdati

Filho de Ali Khamenei assume liderança suprema do Irã em meio à guerra

Novo líder enfrenta crise militar, econômica e política em meio a guerra e isolamento internacional.

Atualizado há 12 dias

O Irã anunciou no último domingo (08/03) a escolha do clérigo Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo da República Islâmica. Filho do aiatolá Ali Khamenei, morto no fim de fevereiro em um ataque atribuído aos Estados Unidos e a Israel, ele foi eleito pela Assembleia de Peritos, órgão composto por 88 religiosos responsáveis por definir a principal autoridade política e religiosa do país.

No sistema político iraniano, o líder supremo exerce influência direta sobre as Forças Armadas, a política externa e instituições estratégicas do Estado, sendo a autoridade máxima acima do presidente. Mojtaba se torna o terceiro ocupante do cargo desde a Revolução Islâmica de 1979, sucedendo o pai e o fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.

Mulher segura uma imagem do aiatolá durante ato de apoio ao novo líder supremo do Irã no Teerã (capital) em 09/03/26. / Foto: Atta Kenare
Mulher segura uma imagem do aiatolá durante ato de apoio ao novo líder supremo do Irã no Teerã (capital) em 09/03/26. / Foto: Atta Kenare

A sucessão ocorre em meio à intensificação do conflito regional após a morte de Ali Khamenei. A rápida escolha de um novo líder foi interpretada por analistas como um sinal de que o establishment clerical iraniano pretende manter a estrutura de poder e resistir às pressões internacionais.

Sucessão inédita e controversa

A decisão da Assembleia de Peritos também gerou controvérsia dentro e fora do país. A transferência de poder entre pai e filho é vista por críticos como um movimento incomum dentro da tradição política xiita, que historicamente evita sucessões hereditárias no comando religioso.

Desde a criação da República Islâmica, a assembleia havia eleito um novo líder apenas uma vez, quando Ali Khamenei assumiu o posto em 1989, após a morte de Khomeini.

Mesmo sem ocupar cargos executivos relevantes, Mojtaba sempre foi descrito como uma figura influente nos bastidores do governo do pai. Documentos diplomáticos norte-americanos revelados pelo WikiLeaks o mencionam como um dos principais interlocutores do gabinete do líder supremo e como alguém capaz de influenciar decisões estratégicas.

Relações com forças militares

O novo líder mantém vínculos próximos com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e com a milícia Basij, estruturas consideradas centrais para a sustentação do regime iraniano.

Segundo analistas, o apoio dessas forças teria sido decisivo para sua escolha, já que Mojtaba enfrentava outros candidatos influentes dentro do clero. Sua relação com a Guarda remonta ao final da década de 1980, quando participou dos últimos anos da guerra entre Irã e Iraque.

Após o conflito, ele aprofundou sua formação religiosa na cidade sagrada de Qom, um dos principais centros teológicos do islamismo xiita. Mesmo assim, nunca ocupou funções formais de destaque no clero.

Sua posição política também se fortaleceu após o casamento com Zahra Haddad-Adel, filha do político conservador Gholam-Ali Haddad Adel. A esposa morreu no ataque que matou Ali Khamenei em fevereiro.

Explosões em ataques aéreos a um depósito de petróleo no Teerã em 07/03/26/Foto: Sasan
Explosões em ataques aéreos a um depósito de petróleo no Teerã em 07/03/26/Foto: Sasan

Conflito e perdas pessoais

O bombardeio que atingiu a família do antigo líder resultou em várias mortes entre seus parentes. De acordo com o governo iraniano, Mojtaba também perdeu um filho e outros familiares no mesmo episódio.

Ele próprio sofreu ferimentos durante a ofensiva, incluindo fratura no pé e contusões leves. Informações divulgadas por veículos internacionais divergem sobre seu estado de saúde. Enquanto autoridades iranianas afirmam que ele continua exercendo suas funções, relatos não confirmados indicam que o líder estaria hospitalizado em Teerã.

A ausência em público desde sua nomeação alimentou especulações sobre a gravidade das lesões. O primeiro pronunciamento à nação foi divulgado apenas em texto lido pela televisão estatal.

Primeiras declarações no cargo

Na mensagem, Mojtaba Khamenei prometeu manter a confrontação militar contra os inimigos do país e afirmou que o Irã não deixará de retaliar os ataques recentes.

Ele também declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado para pressionar adversários e defendeu o fechamento de bases militares norte-americanas na região. Caso isso não ocorra, afirmou que tais instalações poderão ser alvo de novos ataques.

O líder ainda pediu unidade nacional, prometeu assistência financeira às vítimas da guerra e disse que o país exigirá compensação pelos danos sofridos.

Crianças e membros das IRGC carregam bandeiras iranianas em comício militar no centro de Teerã/Foto: Divulgação
Crianças e membros das IRGC carregam bandeiras iranianas em comício militar no centro de Teerã/Foto: Divulgação

Reações internacionais

A escolha provocou reações imediatas em Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o novo governante iraniano “não durará muito” sem a aprovação de seu governo.

Já o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que a liderança iraniana estaria refugiada em instalações subterrâneas e descreveu o comando do país como “desesperado”. Segundo ele, Mojtaba Khamenei estaria ferido e possivelmente desfigurado, declaração que não foi confirmada por autoridades iranianas.

Escalada militar e crise energética

A sucessão ocorre enquanto os Estados Unidos ampliam a ofensiva contra o Irã. O Pentágono afirma ter reduzido drasticamente a capacidade militar iraniana, incluindo ataques contra a marinha, a força aérea e instalações de produção de mísseis.

Apesar disso, militares norte-americanos reconhecem que Teerã ainda mantém capacidade de ameaçar navios comerciais e forças aliadas na região.

O bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa grande parte do petróleo mundial, provocou forte reação dos mercados e contribuiu para a alta dos preços da energia, agravando a crise global.

Mulher segura uma imagem do aiatolá durante ato de apoio ao novo líder supremo do Irã no Teerã (capital) em 09/03/26. / Foto: Atta Kenare
Mulher segura uma imagem do aiatolá durante ato de apoio ao novo líder supremo do Irã no Teerã (capital) em 09/03/26. / Foto: Atta Kenare

Perfil político

Descrito por observadores como uma figura mais conservadora e linha-dura que o próprio pai, Mojtaba também foi associado à repressão do Movimento Verde, onda de protestos que contestou o resultado das eleições iranianas de 2009.

As manifestações foram duramente reprimidas pelas forças de segurança e resultaram em dezenas de mortes, segundo estimativas de organizações internacionais.

Agora à frente do cargo mais poderoso do país, Mojtaba Khamenei assume a liderança de um Irã com cerca de 90 milhões de habitantes, marcado por dificuldades econômicas, isolamento internacional e um conflito militar que envolve grande parte do Oriente Médio.

Analistas avaliam que, diante das perdas pessoais e da escalada militar recente, as perspectivas de negociação entre Teerã e Washington são cada vez mais distantes, aumentando o risco de prolongamento da guerra na região.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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