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Imagem da notícia Escombros em Tiro, no Líbano, após ataque israelense em 08/04 /Foto: Adnan Abidi

Cessar-fogo entre EUA, Irã e Israel entra em colapso após ataques no Líbano

Acordo de duas semanas é marcado por divergências, ataques simultâneos e novo fechamento do Estreito de Ormuz, elevando a tensão global.

Atualizado há 2 horas

Um cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã foi anunciado na terça-feira (07/04), após avanços diplomáticos mediados pelo Paquistão. Por volta das 17h (horário de Brasília), o embaixador iraniano no país indicou que as negociações haviam saído de uma fase “crítica e delicada”. Teerã declarou ter obtido vitória ao apresentar um plano de dez pontos, que incluiria o controle do Estreito de Ormuz e o fim de ataques ao território iraniano. A Casa Branca não confirmou os termos.

O presidente Donald Trump afirmou ter recebido a proposta e classificou o documento como base possível para negociação, embora autoridades americanas tenham divergido sobre sua aceitação integral. Entre os pontos defendidos pelo Irã estavam o fim das sanções, a retirada de tropas americanas do Oriente Médio e a manutenção do enriquecimento de urânio. Já a contraproposta dos Estados Unidos inclui a interrupção desse programa nuclear, a entrega de estoques de urânio e o fim do apoio iraniano a grupos como o Hezbollah.

Após o anúncio da trégua, os mercados reagiram positivamente: o preço do petróleo caiu quase 20%, enquanto bolsas subiram e o dólar recuou. A estabilidade, porém, durou pouco.

Horas depois, ainda na noite de terça-feira, explosões foram registradas em território iraniano. Teerã acusou Israel de violar o acordo ao atacar alvos no país e no Líbano. Na quarta-feira (08/04), autoridades relataram novos bombardeios israelenses, enquanto o Irã lançou mísseis contra Israel. As Forças de Defesa de Israel afirmaram ter realizado ataques contra bases de lançamento iranianas antes de suspender operações diretas contra o Irã, mantendo estado de alerta.

Apesar da pausa nessa frente, Israel intensificou as ações no Líbano, alegando que o cessar-fogo não inclui o país. O governo israelense realizou o que classificou como a maior ofensiva desde o início do conflito, com ataques direcionados ao Hezbollah. Autoridades libanesas informaram mais de 250 mortos e centenas de feridos, enquanto o Irã denunciou violação do acordo.

Equipes de resgate buscam sobreviventes após ataque israelense a prédio residencial em Beirute no Líbano, em 08/04 /Foto: Daniel Carde
Equipes de resgate buscam sobreviventes após ataque israelense a prédio residencial em Beirute no Líbano, em 08/04 /Foto: Daniel Carde

A inclusão do Líbano na trégua tornou-se um dos principais pontos de divergência. O Paquistão, mediador das negociações, afirmou que o país estaria contemplado, enquanto Estados Unidos e Israel negaram. Avisos de evacuação foram emitidos por Israel antes dos bombardeios.

Na quinta-feira (09/04), a situação se agravou com impactos diretos no comércio global. A Guarda Revolucionária do Irã informou que o tráfego no Estreito de Ormuz diminuiu drasticamente até ser interrompido. Dados de rastreamento indicaram ausência de navios na rota, responsável por cerca de 20% do transporte mundial de petróleo. O vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que o não cumprimento da reabertura pode encerrar o cessar-fogo.

A instabilidade provocou nova alta no preço do petróleo, que voltou a se aproximar dos 100 dólares, além de queda nas bolsas asiáticas. Cerca de 800 navios petroleiros ficaram parados após o fechamento da rota.

Paralelamente, aumentaram as incertezas sobre os termos do acordo. Segundo Vance, ao menos três versões distintas do plano iraniano circularam nas negociações, dificultando a definição de uma base comum. Divergências também envolvem o programa nuclear: enquanto Teerã sustenta o direito ao enriquecimento de urânio, Trump afirmou que pretende eliminar completamente o material nuclear iraniano.

Na quarta-feira à noite, o presidente americano declarou que forças dos EUA permanecerão posicionadas na região até um acordo definitivo e voltou a ameaçar retomar ataques caso o Irã não cumpra o que chamou de “verdadeiro cessar-fogo”.

No mesmo período, autoridades iranianas alertaram que podem reagir “com força” caso Israel mantenha as ofensivas no Líbano. Na manhã desta quinta-feira, Israel confirmou ter atingido um integrante ligado à liderança do Hezbollah em Beirute.

Apesar da escalada, negociações diplomáticas seguem previstas. Representantes dos Estados Unidos e do Irã devem se reunir no sábado (11/04), em Islamabad, sob mediação do governo paquistanês. A trégua de duas semanas, definida como uma pausa temporária nos combates, permanece formalmente em vigor, mas cercada por violações, versões conflitantes e risco iminente de retomada total das hostilidades.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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