Foto: Kayo Magalhães (Câmara dos Deputados)
Câmara aprova projeto que flexibiliza punições e fiscalização de partidos
Proposta aprovada sem debate prévio limita multas, impede sanções em período eleitoral e segue agora para análise do Senado.
Atualizado há 7 horas
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (19/05) um projeto que altera regras da Lei dos Partidos Políticos e flexibiliza mecanismos de fiscalização e punição às legendas. A proposta também autoriza o envio automatizado de mensagens eleitorais por partidos e candidatos, medida criticada por especialistas por ampliar riscos de desinformação.
O texto foi incluído de última hora na pauta pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e aprovado em um plenário esvaziado. Antes do início da votação, Motta deixou a condução da sessão para a deputada Geovania de Sá (Republicanos-SC).
Entre os principais pontos, o projeto impede a suspensão de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral no semestre das eleições, mesmo em casos de punições ou condenações anteriores. A proposta também limita a três anos o prazo para julgamento das contas partidárias pela Justiça Eleitoral. Caso o processo não seja concluído nesse período, ele será extinto.
O texto ainda estabelece teto de R$ 30 mil para multas por rejeição de contas e permite o parcelamento de débitos em até 180 meses. Atualmente, as multas podem chegar a 20% do valor considerado irregular.
Outra mudança prevê que partidos surgidos de fusões ou incorporações não sejam responsabilizados por prestações de contas anteriores das legendas incorporadas. Além disso, o diretório nacional deixa de responder solidariamente por sanções aplicadas a diretórios estaduais e municipais.
Na área eleitoral, a proposta autoriza partidos, candidatos e políticos a registrarem números oficiais de celular na Justiça Eleitoral para envio de mensagens sem bloqueio pelas plataformas, salvo por decisão judicial. O texto determina que mensagens enviadas a pessoas previamente cadastradas não serão consideradas disparos em massa, mesmo quando feitas por sistemas automatizados ou bots.
Para Guilherme France, da Transparência Internacional, a medida abre discussão sobre a aplicação do princípio da anualidade eleitoral, já que dispositivos como os disparos automatizados podem impactar diretamente as eleições.
O projeto também autoriza partidos a criarem universidades e cobrarem mensalidades, dispensa a comprovação de atividades exercidas por dirigentes partidários e altera regras para convocação de suplentes parlamentares, que passarão a precisar ser do mesmo partido do titular afastado.
Em nota, a Transparência Internacional criticou a aprovação da proposta e afirmou que o texto “fragiliza mecanismos de fiscalização, agrava riscos de corrupção e perpetua um cenário de impunidade dos partidos políticos”.
A oposição ao projeto ficou restrita a parlamentares do Novo, Missão e PSOL. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) criticou a inclusão da matéria sem debate prévio: “O projeto não estava na pauta, foi inserido depois, não tinha texto e subiu na hora”.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) classificou a proposta como “legislação em causa própria”, enquanto Kim Kataguiri (Missão-SP) acusou parlamentares de evitarem o debate público sobre o tema.
O texto segue agora para análise do Senado e, se aprovado, dependerá de sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para entrar em vigor.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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